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Segunda, 25 Abril 2022 20:35

Angola não pode produzir a quantidade de dinheiro "falso" apreendido pelo SIC - gráfica

Um dos mais respeitados empresários do ramo gráfico do país nega que Angola tenha capacidade para produzir a quantidade de dinheiro “falso” que o SIC disse haver apreendido no dia 18 de Abril.

Ao Correio Angolense, a quem aceitou falar na condição de não ver a identidade exposta, esse empresário, uma das maiores autoridades angolanas na matéria, disse, peremptoriamente, que “não há a mínima hipótese daquele dinheiro ser falso. Em Angola, não há equipamento e nem as matérias primas necessárias para a impressão de uma tão elevada quantia de dinheiro e com a qualidade que, à distância, parece ter”.

Segundo esse empresário, se o dinheiro apreendido é falso, “então foi produzido no exterior”.

Em nota de imprensa dia 21 de Abril, uma quinta-feira, o Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Direcção Geral do Serviço de Investigação Criminal anunciou a apreensão, no Huambo, de “50 sacos de ráfia, contendo no seu interior 25 lotes de USD 200.000, por cada saco, em notas faciais de USD 100, o que totalizou 50 milhões de dólares”.

De acordo com a nota, a apreensão da milionária soma ocorreu a 18 de Abril, três dias antes, quando, “mediante denúncia”, operativos do SIC do Huambo surpreenderam três cidadãos nacionais, “de 47, 53 e 62 anos de idade, residentes em Luanda, entre estes um suposto Coronel das FAA, na reforma”, que teriam na sua posse o referido dinheiro.

Rotulando-o como falso, o SIC diz na nota que o referido dinheiro teria sido ”produzidas numa gráfica em Luanda”.

O SIC não nomeia a gráfica.

Detidos no dia 18, aparentemente, três dias depois os presumíveis falsários continuavam a guardar apenas para si a identidade da gráfica onde teriam produzido o dinheiro.

Embora o SIC garanta, na nota do dia 21, que “diligências prosseguem para esclarecimento total deste crime”, quase uma semana depois, o silêncio acerca da identidade da gráfica já vai dando azo a algumas interrogações.

No país adensam-se as dúvidas sobre a autenticidade ou não do dinheiro.

Nas redes sociais, inúmeros internautas discordam da versão do SIC de que o dinheiro apreendido seria falso.

“Não sou especialista em impressão de dinheiro. Mas sei, por dever de ofício, que o dinheiro requer papel especial e a sua impressão exige equipamento muito sofisticado e homens muito bem preparados para assegurar controlos muito precisos. Além do mais, o manuseamento das matrizes do dinheiro exige uma tecnologia que é muito controlada”.

Em suma, diz a fonte do Correio Angolense, “para falsificar dinheiro tens de ter acesso aos gajos que o produzem”.

A falsificação da moeda norte-americana implica elevados custos financeiros.

De acordo com cálculos da Reserva Federal americana, a entidade que produz o dólar, por cada nota de 100 dólares não verdadeira, o falsário gasta em torno de 60% de dólares autênticos em despesas.

Ao Correio Angolense o jornalista, economista e professor universitário Carlos Rosado de Carvalho também torceu o nariz perante a possibilidade de o dinheiro apreendido no Huambo ser “made in Angola”.

“Para falsificar 50 milhões de dólares estamos a falar de um custo de USD 300 mil para fabricar 500 mil notas de USD 100. É um risco que vale a pena? Se conseguires introduzir as notas no mercado tens um ganho de USD 49,7 milhões. E se fores apanhado, como foram, valeu a pena o risco”.

De resto, pergunta o empresário do ramo gráfico, “esses tipos precisam de dinheiro falso porquê se têm acesso ao dinheiro verdadeiro?”

Para Carlos Rosado é “muito improvável que alguém que tenha os pés bem assentes no chão se aventure numa empreitada com enorme risco de fracassar”.

Há um ano, as autoridades detiveram Pedro Lussaty, um Major adstrito à antiga Casa Militar do Presidente da República, sob a acusação de posse ilegal de elevadas quantidades de dólares, euros e kwanzas.

De acordo com a Televisão Pública de Angola, Pedro Lussaty seria beneficiário de um esquema de desvio de contentores de dólares, montado na Casa Militar do Presidente da República.

Ele implicou muitos outros indivíduos, maioritariamente membros da Unidade da Guarda Presidencial, no desvio de contentores de dólares.

Segundo Pedro Lussaty, encarregados de proteger os contentores de dólares que saiam do porto de Luanda para a caixa forte do Banco Nacional de Angola, membros desse corpo especial de protecção ao Presidente da República desviavam, para proveito próprio, parte da carga cuja segurança era suposto garantirem.

Apesar de exibidas repetidas vezes pela Televisão Pública de Angola, as autoridades nunca quantificaram as “montanhas” de dólares de euros que atribuíram a Lussaty.

Enquanto aguarda por novos desenvolvimentos das diligências que o SIC garante estarem em curso “para esclarecimento total deste crime”, a opinião pública entrega-se a toda a sorte de exercícios, o mais transversal dos quais é do de que o dinheiro apreendido no Huambo não seria falso. Correio Angolense

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Last modified on Quarta, 27 Abril 2022 15:33