Num comunicado, a organização refere que as informações disponíveis indicam que efectivos da Polícia Nacional impediram a concentração de militantes e simpatizantes da UNITA, recorrendo alegadamente ao uso da força para dispersar os participantes e inviabilizar a realização do evento.
A Friends of Angola sustenta ainda que imagens e vídeos amplamente partilhados nas redes sociais mostram, alegadamente, cidadãos a fugir do local da actividade, incluindo mulheres desarmadas que procuravam refúgio enquanto eram perseguidas. Segundo a organização, outros registos audiovisuais parecem documentar a utilização da força para dispersar pessoas que pretendiam participar numa actividade política pacífica.
Na óptica da FOA, os acontecimentos constituem uma séria preocupação para o exercício das liberdades de reunião, manifestação e participação política, direitos consagrados na Constituição da República de Angola e igualmente protegidos por instrumentos internacionais de direitos humanos, como a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos e o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, dos quais Angola é Estado Parte.
A organização sublinha que, numa democracia constitucional, todos os partidos políticos legalmente constituídos devem poder desenvolver as suas actividades de forma livre, pacífica e sem interferências arbitrárias das autoridades públicas. Acrescenta que as forças de segurança têm o dever de garantir a ordem pública, mas essa missão deve ser exercida com imparcialidade, proporcionalidade e estrito respeito pela legalidade.
A Friends of Angola considera igualmente preocupante que episódios desta natureza ocorram num período que antecede as próximas eleições gerais, defendendo que a credibilidade do processo democrático depende da existência de condições de igualdade para todas as forças políticas, incluindo a liberdade de organização, mobilização e expressão.
Perante os acontecimentos, a organização apelou à Polícia Nacional para que actue com estrita neutralidade política, respeitando os princípios da legalidade, da necessidade e da proporcionalidade no exercício das suas funções, salvaguardando os direitos fundamentais dos cidadãos.
A FOA exortou ainda o Governo angolano a assegurar o pleno respeito pelas liberdades e garantias constitucionais de todos os cidadãos e partidos políticos, independentemente da sua orientação política, defendendo igualmente que sejam responsabilizados todos os indivíduos que tenham utilizado o poder político ou a autoridade pública para intimidar, reprimir ou impedir o exercício pacífico dos direitos políticos.
No mesmo comunicado, a organização dirigiu um apelo à comunidade internacional, nomeadamente à União Africana, à SADC, às Nações Unidas e aos restantes parceiros internacionais de Angola, para que acompanhem atentamente o ambiente cívico e político que antecede as eleições gerais, incentivando o respeito pelos princípios democráticos e pelo Estado de Direito.
A concluir, a Friends of Angola sustenta que uma democracia sólida não se mede apenas pela realização periódica de eleições, mas também pela capacidade do Estado de garantir que todos os cidadãos e partidos políticos possam exercer livremente os seus direitos constitucionais, sem intimidação, discriminação ou repressão. A organização defende ainda que a estabilidade política e a paz duradoura em Angola dependem da existência de instituições imparciais, do respeito pelo pluralismo político e de um compromisso efectivo com o Estado de Direito.

