Segundo o porta-voz nacional da DIIP, superintendente-chefe Quintino Ferreira, o grupo, denominado "Terminal – Linha de Comando", recorria a sofisticados meios tecnológicos para invadir os sistemas informáticos de várias instituições financeiras, entre as quais o Banco de Fomento Angola (BFA), o Banco BIC, o Banco Angolano de Investimentos (BAI), o Banco de Comércio e Indústria (BCI) e o Banco Millennium Atlântico.
Para executar o esquema, a organização terá contratado um hacker de nacionalidade brasileira, responsável por desenvolver mecanismos destinados a comprometer a segurança das plataformas bancárias e facilitar o acesso indevido às contas visadas.
As investigações revelaram ainda que a rede contava com a colaboração de funcionários de algumas instituições bancárias, que alegadamente forneciam informações privilegiadas, facilitavam o desbloqueio de contas e eliminavam vestígios das operações fraudulentas nas bases de dados dos bancos.
De acordo com a DIIP, estes colaboradores internos criavam esquemas irregulares para justificar as transacções ilícitas, permitindo que os movimentos financeiros passassem despercebidos pelos mecanismos de controlo.
Durante a operação policial realizada em Luanda foram detidos oito suspeitos, dos quais sete cidadãos angolanos e um brasileiro, com idades compreendidas entre os 25 e os 38 anos. As autoridades indicam que os restantes membros da organização incluem cidadãos da Nigéria e da Namíbia.
Segundo Quintino Ferreira, o grupo encontrava-se na fase final de preparação de uma operação que previa a transferência fraudulenta de elevadas quantias através do sistema bancário nacional. Caso o plano tivesse sido concretizado, os suspeitos poderiam apropriar-se de cerca de 10 mil milhões de dólares norte-americanos.
Após as detenções, os arguidos foram encaminhados para o Gabinete de Cibercriminalidade e Prova Electrónica da Procuradoria-Geral da República, onde prosseguem as diligências processuais.
As autoridades atribuem ao grupo a prática de diversos crimes informáticos, entre os quais invasão de sistemas bancários, intercepção fraudulenta de códigos OTP (One-Time Password), falsificação de documentos, branqueamento de capitais, burla informática e realização de transacções ilícitas através do sistema financeiro nacional.
A operação enquadra-se na estratégia de combate à criminalidade organizada transnacional e ao cibercrime, áreas que as autoridades angolanas consideram prioritárias devido ao crescente recurso a tecnologias sofisticadas por redes criminosas para atacar instituições financeiras e outros sectores estratégicos.

