Quinta, 06 de Outubro de 2022
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Segunda, 15 Agosto 2022 20:35

Colunista Jacques dos Santos chama Ernesto Bartolomeu de sempre ridículo e negativo após episódio sobre JES

O colunista angolano, Jaques dos Santos, disse que o principal pivô do Telejornal da TPA, Ernesto Bartolomeu, o celebrado (não pelos seus atributos) apresentador da Televisão Popular de Angola, foi, no passado dia 08 de Agosto, uma vez mais, igual a si próprio. Ridículo e negativo.

Baixeza em modo de televisão - Banga mbote, sakidila xôto! (Fazes o bem e o agradecimento é bufo "peido") Provérbio kimbundu

"Desta vez, colocou-nos diante da realidade da morte. Do que ela representa e das suas nefastas consequências. Da metamorfose que, face a interesses de poder despertos por circunstâncias obscuras, ela faz apoderar os que resistem a todas as intempéries e por aqui vão permanecendo", disse Jacques.

Dados que Angola24horas teve acesso, datados de último sábado, 13 de Agosto, Jacques dos Santos avança que Ernesto Bartolomeu, o magnífico, reavivou aos cidadãos a figura de uma pessoa que, durante décadas, no bem e no mal, conduziu, ao mais alto nível, os destinos da Nação Angolana. "Um homem que arruinou o país, sem dúvida, mas que, no momento da sua morte, foi homenageado pela Assembleia Geral das Nações Unidas".

"Um homem que, goste-se ou não dele, não era um qualquer homem. Razão mais que suficiente para que Ernesto Bartolomeu apelasse a uma réstia de respeito, dignidade e elegância para com a entidade que, naquele momento mau e perante as câmaras da televisão, sem qualquer condescendência pelo seu passado, reduziu à triste condição de um (cadáver congelado)", referiu ainda.

Na opinião de Jacques dos Santos, Ernesto Bartolomeu ou o autor do texto que pôs em evidência a sua propalada imagem de marca, leitura com carga de força que lhe é peculiar, ignorou de forma vil o presidente que, entre inúmeros erros cometidos, se lembrou um dia de validar a transformação da sua figura insignificante de candidato a apresentador, naquilo que é hoje. "Ele mesmo, Ernesto Bartolomeu, o inimitável."

Na verdade, observou, foi no longo consulado de JES que Ernesto Bartolomeu passou num salto de gazela as barreiras do mediatismo para viver uma vida com que nunca sonhara um dia viver.

"De facto, o reconhecido bajulador da figura do emérito, o locutor-maravilha EB que no passado se desfez em encómios a enaltecer feitos do comandante-em-chefe, deveria estar eternamente grato a alguém que consentiu que a sua mais que evidente mediocridade fosse elevada ao nível que ilusoriamente imagina estar no mundo da comunicação social. Mas pessoas como EB (há uma quantidade razoável na comunicação do Estado) exibem a todo o instante a falta de carácter com que nasceram, a mesma que falta aos que redigem os textos que ele lê com uma vaidade assombrosa, mostrando à saciedade que sempre foi carregado de verdade o adágio popular que nos diz: pretensão e água benta, cada um toma a que quer", atirou.

Pelas razões citadas e porque, mesmo nos casos que envolvem tipos da pior espécie, ressaltou Jacques, há sempre qualquer coisa de bom no ser humano, eu acho que o pivot de eleição dos telespectadores angolanos deveria ter pensado duas vezes pelo menos, antes de ler a peça monstruosa com que se pavoneou perante as câmaras da sua TPA dirigindo-se ao público telespectador. Sem nenhuma verticalidade, sem qualidade, desrespeitoso quanto baste e a encher de vergonha qualquer jornalista digno e com alguma personalidade. Se o fizesse talvez escapasse à onda de críticas que lhe caíram e cairão em cima por tão baixa e irresponsável atitude.

"Passados os trinta dias sobre o falecimento do antigo Presidente, José Eduardo dos Santos e depois de goradas uma série de tentativas governamentais de fazer viajar o seu cadáver até à mãe-pátria para o eterno repouso que ele fez por merecer ter; depois de amplamente conhecidas as divergências que opõem a família de JES ao governo angolano; sabendo-se como sabemos que estas situações são delicadas e devem ser discreta e necessariamente respeitadas, era improvável vê-lo a desempenhar tão deplorável papel, naquelas condições em que assinalou o trigésimo dia do seu passamento. Tão improvável como seria ver a direcção da TPA a prestar-se a esse papel miserável, face aos acontecimentos já vividos e espalhados pela Nação inteira e a misturarem-se com outros que se produzem nesta fase de campanha eleitoral efervescente", considerou tristemente.

Neste momento, disse estar convencido que todo o angolano consciente reserva todos os dias um minuto do seu tempo para pensar no que foi errando ao longo dos anos em que o país se considera independente.

Disse também que um dos maiores erros entre os muitos que dominam Angola é preservar o tipo de comunicação social que vigora no país, adiantando que, como muitas coisas a necessitar de mudança, entende ter chegado a hora da comunicação social angolana tutelada pelo Estado pensar no papel que é obrigado a desempenhar na sociedade próxima futura. "Equidistante dos interesses políticos e mais próximo da verdade dos factos".

"Não acredito nas coisas do Além, mas ainda assim e influenciado pelo surrealismo do que nos cerca o quotidiano, não me coíbo de exprimir a esperança de assistir num dia fictício, num dia fantástico, a uma ressurreição dos justos, depois de ver alimentada a convicção de que muitos dos que dormem no pó da terra acordarão da vida eterna para julgar os outros que por aqui andam com menos dignidade. Veríamos então castigados os que hoje vão desenvolvendo diariamente estas cenas rasteiras, sem conseguirem sequer, respeitar os mortos que um dia em vida, lhes deram o melhor das suas sujas vidas", defendeu.

Deixa, finalmente, os seus sonhos a pairar na brisa deste frio cacimbo, aguardando os próximos capítulos da festa das eleições que se prepara com emoção. "Ficando-me por aqui, cumprimento os meus leitores, os companheiros de luta e os amigos, despedindo-me de todos com a promessa de estarmos juntos, no próximo domingo à hora do matabicho".

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