Sábado, 30 de Mai de 2026
Follow Us

Sábado, 30 Mai 2026 12:15

Nimi-a-Simbi rejeita divisões na FNLA e remete alianças para decisão do Congresso

O presidente da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Nimi-a-Simbi, afirmou esta quinta-feira, 29 de Maio, que qualquer decisão sobre uma eventual integração do partido numa coligação ou frente política para as eleições gerais de 2027 será tomada exclusivamente pelo Congresso da organização.

As declarações foram feitas durante a Grande Entrevista da TV Zimbo, transmitida em directo, onde o líder partidário abordou questões relacionadas com a vida interna da FNLA, a situação socioeconómica do país e os desafios políticos que antecedem o próximo ciclo eleitoral.

Questionado sobre a possibilidade de a FNLA integrar uma frente unida da oposição para enfrentar o MPLA nas eleições de 2027, Nimi-a-Simbi lembrou que a própria designação do partido reflecte já a sua natureza agregadora.

“A própria FNLA já é uma Frente. Uma Frente juntar-se a outra Frente não funciona”, afirmou.

Ainda assim, fez questão de sublinhar que não lhe cabe decidir, individualmente, sobre futuras alianças políticas, remetendo qualquer deliberação para os órgãos competentes do partido.

“Temos um Congresso e é o Congresso que deverá decidir se aderimos a uma Frente ou não. No Congresso é que se decidirá”, declarou.

O líder da FNLA esclareceu igualmente que não assinou qualquer acordo político com outras formações partidárias, como o Bloco Democrático (BD), o PDP-ANA ou a RENOVA, reiterando que qualquer entendimento futuro dependerá da aprovação do Congresso.

“Não assinei nenhum pacote com o BD, o PDP-ANA, a RENOVA ou outros partidos. Essa é uma responsabilidade exclusiva do Congresso. Lá apresentaremos uma proposta e os delegados decidirão. Se passar, está bem; se não passar, também está bem”, afirmou.

Durante a entrevista, Nimi-a-Simbi rejeitou a existência de divisões estruturadas dentro da FNLA, atribuindo os actuais focos de tensão ao antigo dirigente Ngola Kabangu.

“Quem está a criar desentendimento agora no partido é Ngola Kabangu”, acusou.

Segundo o presidente da FNLA, o processo relacionado com o antigo responsável continua a ser apreciado pela Justiça.

“O processo continua contra Ngola Kabangu. O caso está na Justiça”, disse.

Nimi-a-Simbi sustentou ainda que não existem alas dentro da organização política, defendendo a legitimidade dos actuais órgãos dirigentes.

“Na FNLA não há alas. Temos apenas um Comité Central, um Bureau Político e um Presidente. O que existe é um grupo financiado por Ngola Kabangu para criar desordem”, declarou.

O dirigente acrescentou que procurou introduzir uma nova dinâmica na vida do partido, considerando que o contexto político actual exige abordagens diferentes das adoptadas no passado.

“A política de hoje não é a mesma de ontem. Eu queria imprimir outra dinâmica ao partido”, referiu.

Questionado sobre uma eventual recandidatura à presidência da FNLA no VI Congresso, Nimi-a-Simbi afirmou que ainda não tomou uma decisão definitiva.

“Não sei se vou recandidatar-me. Tudo depende dos militantes. Se eles quiserem, avançarei; se não quiserem, não avançarei”, declarou.

No plano organizativo, o presidente da FNLA revelou que o partido tem mantido uma actividade regular dos seus órgãos de direcção, contabilizando entre oito e nove reuniões do Bureau Político e seis sessões do Comité Central durante o actual mandato.

Segundo explicou, as reuniões do Comité Central representam um esforço financeiro significativo para a organização, ao contrário das sessões do Bureau Político, que exigem menos recursos.

Nimi-a-Simbi admitiu igualmente as dificuldades financeiras enfrentadas pelo partido, revelando que, apesar da sua ampla base de militantes, apenas 36 membros contribuem regularmente com o pagamento de quotas.

“A maioria dos militantes da FNLA não paga quotas porque são pobres”, lamentou.

Ao abordar a realidade socioeconómica do país, o líder da FNLA traçou um quadro preocupante das condições de vida da população angolana.

“O angolano vive numa pobreza extrema. Só para conseguir água é um dilema, sobretudo nas províncias”, observou.

Relativamente ao combate à corrupção, considerou que os resultados alcançados até ao momento são insuficientes.

“O combate à corrupção levado a cabo pelo Presidente da República não mudou nada”, afirmou.

Para Nimi-a-Simbi, a luta contra a corrupção deve ser acompanhada por reformas económicas e sociais mais abrangentes, incluindo a valorização salarial, o controlo da inflação e a melhoria do poder de compra dos cidadãos.

“O combate à corrupção tem muitos métodos. Até aqui tem falhado. É preciso melhorar os salários dos angolanos”, defendeu.

No domínio económico, o presidente da FNLA apontou a agricultura como o principal motor para a diversificação da economia e para a melhoria das condições de vida da população.

“Há um esforço a ser feito pelo Governo, mas para melhorar a vida dos angolanos é necessário apostar na agricultura como base económica. Seis por cento para a agricultura não é nada. As organizações internacionais recomendam 20 por cento”, argumentou.

Defendeu ainda que sectores essenciais como a educação, a saúde e o saneamento básico devem permanecer protegidos de eventuais cortes orçamentais, sugerindo que os recursos sejam canalizados de outras áreas para o fortalecimento da produção agrícola.

Apesar dos desafios internos e das dificuldades económicas, Nimi-a-Simbi garantiu que a FNLA está preparada para participar nas eleições gerais de 2027, manifestando confiança na capacidade organizativa e política do partido para enfrentar o próximo processo eleitoral.

Rate this item
(0 votes)