Higino Carneiro falava aos jornalistas à saida da Procuradoria-Geral da República angolana, onde foi hoje chamado a comparecer para ser notificado de um processo relacionado com uma burla envolvendo viaturas, e que já tinha sido arquivado, admitindo motivações políticas por detrás da solicitação judicial.
A intimação foi conhecida um dia depois do presidente do MPLA e Presidente de Angola, João Lourenço, ter formalizado a sua candidatura na sede do partido em Luanda.
Na altura, o seu mandatário, João de Almeida Martins "Ju Martins" disse que à liderança do MPLA só se candidata "quem o MPLA quer", e quem o partido achar que é o candidato ideal para repetir a vitória em 2027, ano de eleições gerais em Angola.
Instado a comentar as declarações, Higino Carneiro disse que "o partido é dos militantes" e que está a trabalhar para a recolha de assinaturas.
Mostrou-se, no entanto, "muito preocupado" com o que observa nas redes sociais, onde se multiplicam manifestações de apoio a um ou a outro candidato, "quando, na verdade, o partido é o mesmo".
"O bom seria que a estrutura superior do partido entendesse que a nossa manifestação de interesse fosse saudada assim como fizeram em carta que endereçaram. Neste momento preocupa-me é isso. Nós devemos evitar que haja confronto entre apoiantes de um ou de outro. O que está em causa é a unidade do partido, o seu fortalecimento, o seu crescimento, que é aquilo que eu digo todos os dias. Eu não estou envolvido nisso para dividir, eu estou para somar", realçou.
Para sábado foi anunciado um comício de apoio à candidatura de João Lourenço, mas há também mobilização nas redes sociais para marchas de apoio a Higino Carneiro.
"O que é estranho é que nós não estamos em campanha. E isso fere o código ético de conduta partidária. E também os próprios regulamentos eleitorais", comentou, apelando a que haja calma e a que não se enverede por esse caminho.
"Não é bom para a imagem do nosso partido", vincou.
Sobre a altura em que será formalizada a candidatura, Higino Carneiro disse que o prazo vai até 28 de outubro e que não bastam as assinaturas, sendo também necessário apresentar a moção de estratégia do líder.

