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Terça, 26 Setembro 2023 13:30

Aproximação entre Angola e EUA vantajosa para reestruturação das forças armadas - especialista

O especialista angolano em relações internacionais Almeida Henriques considerou hoje importante a aproximação entre Angola e os Estados Unidos da América (EUA), numa altura em que as Forças Armadas Angolanas (FAA) estão num processo de reestruturação e modernização.

Almeida Henriques comentou, em declarações à agência Lusa, a visita a Angola do secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, na qual está prevista, quarta-feira, uma intervenção sobre os novos ângulos da política do Governo americano para África, com o tema “O Poder da Parceria”.

Segundo o analista, as FAA estão num processo de redimensionamento, de reestruturação, e precisam de “novos ventos para dar uma outra imagem”, quer do ponto de vista intelectual, do militar angolano, quer do ponto de vista tecnológico.

“E hoje é normal que se recorra ou que se estabeleça uma relação com os EUA, porque é das nações mundiais que, do ponto de vista de estratégia militar e também de evolução de tecnologia militar, vale a pena contar”, referiu.

Para Almeida Henriques, “Angola não pode se envaidecer, pensando que deve excluir o ator político A em detrimento do ator político B”, considerando todos válidos, em função das necessidades do país.

Nesta altura, prosseguiu o especialista, o Presidente angolano, João Lourenço, que "lê os sinais dos tempos", sabe que, "como qualquer outro Estado do mundo, é alvo de qualquer intenção negativa do vizinho ou de um outro Estado do mundo”.

“Para o efeito, precisa de ter forças armadas capazes de responderem proporcionalmente, em função do contexto e das circunstâncias, a qualquer eventualidade possível”, disse, acrescentando que as condições técnico-militares que os EUA oferecem vão ao encontro das necessidades angolanas, que são “a revitalização, reestruturação e modernização das FAA”.

De acordo com Almeida Henriques, não há nenhum parceiro do Estado angolano, como os tradicionais Rússia e China, que esteja “declinado ou menosprezado sobre as relações que existem com Angola”.

“Mas Angola precisa encontrar um denominador comum para manter as forças armadas capazes de enfrentarem qualquer eventualidade tanto nas suas fronteiras, no espaço regional ou africano e por que não mundial”, frisou.

“Para que isso aconteça, é preciso que tenhamos forças armadas devidamente potenciadas com todas as ferramentas possíveis, para que consiga encarar os desafios do contexto que o mundo está a viver”, acrescentou.

Almeida Henriques reforçou que Angola precisa de construir a sua ideologia em função dos seus interesses, e todos os parceiros são válidos desde que reconheçam que o país lusófono é um Estado soberano e que precisa de definir as suas políticas de segurança.

“Na política externa de Angola não há uma escolha possível a não ser aquela que se adequa aos interesses nacionais, porque não existe nenhum Estado amigo permanente e nenhum inimigo eterno. Eterno são os nossos interesses nacionais, mas os demais podem variar em função das circunstâncias”, realçou, discordando com quem pensa que o chefe de Estado angolano “está a mudar os paradigmas da história política nacional”.

O analista salientou que qualquer Estado que tenha relações diplomáticas com Angola, ainda que de âmbito estratégico, “não pode pensar que ele está declinado pelo facto de Angola abrir novos espaços na sua política externa, na perspetiva de parcerias estratégicas”.

“O Presidente da República, João Lourenço, está a governar numa altura em que ele precisa de ler os sinais dos tempos. Se ele deve ler os sinais dos tempos, então, as parcerias que devem ser fundamentais nesta altura são aquelas que vão ao encontro das necessidades do povo angolano”, salientou.

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