A candidatura foi entregue pelo mandatário do processo, João de Almeida Martins, conhecido como “Jú Martins”, que aproveitou a ocasião para deixar sinais claros sobre o tom da disputa interna que antecede o conclave partidário.
“Ser candidato do MPLA à Presidência da República não é para quem quer, é para quem o MPLA entender ser o melhor e mais adequado para conduzir toda esta máquina até à vitória em 2027”, declarou aos jornalistas.
Segundo o mandatário, foram entregues 11.118 subscrições recolhidas nas 21 províncias do País, superando largamente o mínimo exigido pelo regulamento interno para formalização da candidatura ao cargo de presidente do partido.
Questionado sobre o facto de João Lourenço acumular actualmente as funções de presidente do partido e coordenador da preparação do 9.º congresso ordinário, enquanto é simultaneamente pré-candidato, João de Almeida Martins garantiu que o líder do MPLA abdicará dessas funções nas vésperas da realização do congresso.
A intenção de recandidatura de João Lourenço foi apresentada no sábado, em Luanda, durante uma reunião do Bureau Político do Comité Central, órgão que manifestou apoio incondicional à decisão do actual presidente do partido.
Caso venha a ser o candidato mais votado no congresso, João Lourenço ficará em posição de indicar o próximo candidato do MPLA à Presidência da República nas eleições gerais de 2027, uma vez que está constitucionalmente impedido de concorrer a um terceiro mandato presidencial.
A corrida interna no partido conta agora com quatro pré-candidatos. Além de João Lourenço, já formalizaram ou anunciaram intenções de candidatura Higino Carneiro, José Carlos de Almeida e António Venâncio. Mais recentemente, Irene Neto também manifestou ao Novo Jornal a intenção de entrar na disputa pela liderança do partido.
De acordo com o regulamento do congresso, todos os militantes no pleno gozo dos seus direitos estatutários podem candidatar-se, desde que não estejam abrangidos por inelegibilidades. O regulamento estabelece igualmente um período mínimo de militância, que varia entre cinco e 15 anos, conforme o cargo pretendido.
Para a candidatura à presidência do MPLA, os proponentes devem reunir o apoio mínimo de 5.000 militantes distribuídos por todas as províncias do País, garantindo uma base de apoio representativa da estrutura nacional do partido.

