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Terça, 20 Outubro 2015 16:36

Luaty Beirão mantém greve de fome apesar da marcação do julgamento

Advogados revelaram que o ativista não vai mudar de posição e quer aguardar julgamento em liberdade

O ativista angolano Luaty Beirão, acusado de preparar um golpe de Estado, vai continuar em greve de fome, exigindo aguardar julgamento em liberdade, frustrada a tentativa de o demover do protesto, disse hoje à Lusa o seu advogado.

"Coloquei-lhe a questão, as vantagens e as desvantagens, mas ele disse que perante o que recebeu, não vê porque tem de mudar a posição. Ficou desiludido", disse à Lusa o advogado Luís Nascimento, ao fim de uma hora de reunião com Luaty Beirão na clínica privada de Luanda onde o 'rapper' e ativista está internado, sob detenção, levando já 30 dias em greve de fome.

A consciência pesada sobre Luaty Beirão

Os advogados pretendiam demover Luaty Beirão deste protesto, tendo em conta a notificação, na segunda-feira, do início do julgamento da acusação da preparação de um golpe de Estado e de um atentado contra o Presidente angolano (juntamente com mais 16 arguidos), previsto para 16 a 20 de novembro, no Tribunal Provincial de Luanda.

Luís Nascimento informou à Lusa que Luaty Beirão está "lúcido, estável e informado de toda a situação atual", quando ainda correm recursos sobre o alegado excesso de prisão preventiva (além dos 90 dias previstos) de 15 dos 17 arguidos, detidos desde junho.

"Ele não sabe por quanto mais tempo poderá manter-se lúcido, mas diz que o protesto é para continuar. Mas também mantém alguma esperança que antes do julgamento o Tribunal Supremo ou o Tribunal Constitucional tomem alguma decisão no sentido do que a defesa pretende [recursos]. A questão é a boa vontade desses órgãos", apontou ainda o advogado.

Advogados de Luaty Beirão tentam demovê-lo da greve de fome

Luís Nascimento, que em conjunto com o colega Walter Tondela defende 13 dos arguidos, admite que o previsível agravamento do estado de saúde do jovem até ao início do julgamento condicionará a defesa em preparação.

"Mas a intenção dele não vai no sentido de desistir, pelo que observamos hoje", reconheceu.

O julgamento deste caso arranca a 16 de novembro, no Tribunal Provincial de Luanda, prolongando-se por cinco sessões já agendadas.

Além de Luaty Beirão, de 33 anos, que assina com os heterónimos musicais "Brigadeiro Mata Frakuzx" ou, mais recentemente, "Ikonoklasta", também Albano Bingobingo, outro dos 15 ativistas em prisão preventiva neste processo, iniciou a 09 de outubro, pelos mesmos motivos, uma greve de fome, mas segundo denúncia da família sem receber os necessários tratamentos médicos.

Os suspeitos têm idades entre os 19 e os 33 anos e são professores, engenheiros, estudantes e um militar, entre outras ocupações.

Em causa está uma operação policial desencadeada a 20 de junho de 2015, quando 13 jovens ativistas angolanos foram detidos em Luanda, em flagrante delito, durante a sexta reunião semanal de um curso formação de ativistas, para promover posteriormente a destituição do atual regime, diz a acusação.

Outros dois jovens foram detidos dias depois e permanecem também em prisão preventiva.

Lusa

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