Quarta, 05 de Agosto de 2020
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Terça, 12 Mai 2020 10:27

Isabel dos Santos alega que justiça angolana arrestou bens com base em passaporte falso

Falecido mestre do kung-fu e ator de cinema entra é protagonista inesperado no processo Luanda Leaks que envolve a filha do antigo presidente angolano José Eduardo dos Santos

A empresária Isabel dos Santos acusou Angola e Portugal de terem usado como prova no arresto de bens um passaporte falsificado, com assinatura do mestre do kung-fu e ator de cinema já falecido Bruce Lee.

Em comunicado, Isabel dos Santos diz que a procuradoria-geral de Angola usou como prova um “passaporte grosseiramente falsificado como supostamente pertencente” à empresária para que o tribunal decretasse em dezembro o arresto preventivo de bens e empresas, isto no âmbito de uma disputa de 1,1 mil milhões de euros reclamados pelo Estado angolano.

A empresária angolana alega que são vários os sinais de falsificação e que é “pouco credível que o Estado angolano não pudesse distinguir um passaporte falso de um documento verdadeiro por si emitido”. Nomeadamente que não tivesse detetado a “maior aberração” de o passaporte ter a “assinatura do falecido mestre de kung-fu e ator de cinema Bruce Lee”. Mas há mais sinais: a foto do passaporte foi tirada da internet, a data de nascimento está incorreta, apresenta várias palavras em inglês (“businesswoman” e “married”) quando a língua oficial de Angola é português, por exemplo.

Isabel dos Santos conta que este passaporte estava a ser usado por um golpista sobre um suposto “negócio do Japão” e no qual se fazia passar por um fictício empresário do Médio Oriente, atuando em nome da empresária. Para tal, usou um passaporte falso de Isabel dos Santos como fachada, “engendrando um negócio fraudulento, sendo que pretendia burlar uma pequena empresa no Japão”.

Porém, o passaporte falso e os e-mails foram usados como prova em tribunal para demonstrar que Isabel dos Santos pretendia ilegalmente exportar capitais para o Japão e sustentar o pedido de arresto. “A Procuradoria angolana criou assim perante o Tribunal uma falsa aparência de que a cidadã Isabel dos Santos se preparava para levar dinheiro para o Japão e desejava dissipar e esconder o seu património, e era urgente apoderar-se destes bens”, acusa a defesa da empresária filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos.

“Isabel dos Santos nunca conheceu e nem contactou as partes envolvidas neste esquema fraudulento” e não tinha conhecimento da falsa proposta. A transação descrita nos e-mails é tecnicamente impossível, em tudo semelhante a uma típica burla de internet”, diz ainda em comunicado.

E foi com base nestas falsificações que as autoridades judiciais angolanas solicitaram a outros países, designadamente Portugal, o arresto de bens. “A Justiça Portuguesa decidiu cooperar com Angola, (…) e assim tem executado vários arrestos em Portugal com base em pedidos judiciais tomados e assentes em documentos forjados e falsos”, acusa Isabel dos Santos.

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