Sábado, 04 de Julho de 2020
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Quinta, 20 Fevereiro 2020 10:25

Bakongo de Angola discriminados nas Embaixadas e na Emigração

Exmo. Senhor Presidente da República de Angola

João Gonçalves Lourenço

A sua chegada ao poder em Angola reanimou a esperança perdida, depois de o ouvirmos manifestar a necessidade de uma Reconciliação com a História.

Toda a História tem a sua história para contar e é assim que nós, os signatários desta carta, nascidos durante o colonialismo, fomos daqueles que, contagiados pelo espírito nacionalista e revolucionário que o MPLA original nos transmitiu, se entregaram na luta anticolonial, por uma sociedade justa, progressista e multirracial que o programa do MPLA então defendia. Alcançámos, com o sacrifício sabido, a independência de Angola a 11 de Novembro de 1975, mas, chegados a 27 de Maio de 1977 fomos presos, enxovalhados, torturados e sobrevivemos à tragédia, ao contrário do que sucedeu com muitos “desaparecidos”, homens e mulheres, na sua maioria jovens que se entregaram à revolução angolana.

Há mais de 15 anos que temos vindo a chamar atenção, as autoridades angolanas, em particularmente o Ministério das Relações Exteriores, Ministério da Justiça e as Embaixadas de Angola na Europa.

Perguntamos sempre há quem de direito porque que os angolanos de Origem do Uige, Zaire e Cabinda são desprezados nas Embaixadas? Porque razão somos detestados até ao ponto de sermos chamados de LANGA? Porque que somos rejeitados desta forma, a Constituição da República diz que todos gozam dos direitos, das liberdades e das Garantias Constitucionais.

Artigo 23.º Princípio da igualdade

1- Todos são iguais perante a Constituição e a lei.

2- Ninguém pode ser prejudicado, privilegiado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão da sua ascendência, sexo, raça, etnia, cor, deficiência, língua, local de nascimento, religião, convicções políticas, ideológicas ou filosóficas, grau de instrução, condição económica ou social ou profissão.

Senhor Presidente, é triste sermos humilhados quando vamos as embaixadas como a de Portugal e Suíça, tudo isso por não termos os sotaques portugueses, somos insultados e humilhados, neste caso exigimos o atendimento em Kikongo nestas Instituições para que possam falar conosco e ver quem é quem afinal.

Exigimos respeito,

Pedimos também apoio ao Ministro da Justiça que reveja o caso de muitos angolanos regressados da República Democrática do Congo que até hoje vivem sem documentos (assento de nascimento), quando vão tratar os documentos também são insultados de LANGA.

Senhor Presidente, relativamente a este processo queremos aqui chamar atenção que em certas embaixadas na Europa foram criadas umas associações dito Federações que fazem denúncias no que tange a nossa originalidade será isto justo? Qual direito essas associações ou mesmo partido MPLA na diáspora têm para identificar quem é quem? Por não falar bem o português somos diretamente bloqueados e rejeitados nas Embaixadas.

Assuntos destes deixou marcas tão profundas na sociedade angolana, esperamos que, com a assistência das entidades competentes, que os nossos familiares possam obter ajuda ou assistência como todos angolanos de Cabinda ao Cunene sem bajular os embaixadores(as).

A tempos atrás ouvimos que um representante da SME a dizer que muitos angolanos de origem Bakongo residentes na Suíça não são Angolanos Será isto justo? Que virá um grupo de investigadores para o efeito, sinceramente porque que só acontece com os Bakongo…

Pedimos e exigimos os direitos iguais,

Somos Bakongo do Uige, do Zaire e de Cabinda..., ninguém vai mudar as terras dos nossos ancestrais em Angola, Nossos Costumes, Nossa tradição, Nossas Línguas ou a nossa história.

Obrigado, e que o nosso Deus lhe abençoe

Lisboa, 20 de fevereiro de 2020

Os signatários,

Nzuzi Massiala

Bernardo Nsoki

Madalena Gaspar

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