Quarta, 27 de Mai de 2020
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Quinta, 19 Março 2020 15:24

UNITA diz que libertação da África Austral foi obra dos seus filhos e não de russos e cubanos

A UNITA, maior partido da oposição angolana, defendeu hoje, em Luanda, que a libertação da África Austral “foi obra dos seus filhos e não dos russos e cubanos”.

A posição foi hoje expressa em conferência de imprensa, pelo secretário nacional dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), Abílio Kamalata Numa, a propósito do dia 23 de março, comemorado em Angola como o Dia da Libertação da África Austral.

Abílio Kamalata Numa disse que o objetivo da conferência foi “continuar a repor verdades sobre a dita Batalha do Cuito Cuanavale”, que ocorreu em Angola entre 15 de novembro de 1987 e 23 de março de 1988, opondo os exércitos das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), do Governo angolano, apoiado por Cuba, e das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), da UNITA, com apoio da África do Sul.

Segundo o dirigente da UNITA, a Batalha do Cuito Cuanavale “é uma ficção, porque a verdadeira batalha de 1987/88 foi a Batalha Saudemos o Segundo Congresso da parte do Governo de Angola e Lomba 87 da parte da UNITA”, tendo esta sido “uma entre as várias batalhas que se produziram naquele teatro de guerra”.

“A grandeza dessa batalha residiu nas consequências políticas que produziu ao ter permitido desbloquear a aplicação da resolução 435 de 1978, com o Acordo de Nova Iorque assinado a 22 de dezembro de 1988 na sede da ONU pelos Governos de Angola, Cuba e África do Sul”, referiu Abílio Kamalata Numa.

De acordo com Abílio Kamalata Numa, “foi a Batalha Lomba 87 que desencorajou a aventura da Rússia e Cuba de expandir o comunismo na África Austral e não a dita Batalha do Cuito Cuanavale, que serve para mascarar a vergonha da derrota infringida pelas FALA ao imperialismo russo-cubano”.

O secretário nacional para os Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria da UNITA explicou que a Batalha Lomba 87 iniciou a 12 de julho de 1987 e culminou com a destruição da 47ª brigada no dia 11 de outubro de 1987 “e com profundo desgaste de outras brigadas”, tendo no dia a seguir as FALA iniciado “uma perseguição feroz às brigadas e forças cubanas moralmente abatidas, empurrando-as até às proximidades do Cuito Cuanavale”.

Abílio Kamalata Numa frisou que foi com a derrota das FAPLA, dos cubanos e dos russos em Mavinga, em 1987/88, que se acelerou a assinatura dos Acordos de Nova Iorque e que “se quebrou a vontade de se impor regimes comunistas na África Austral”, levando “os russos a impor ao MPLA a estratégia de saída airosa deste teatro de guerra em África, com a arquitetura da dita Batalha do Cuito Cuanavale”.

Para Abílio Kamalata Numa, se não fosse a invasão de Angola pelos russos e cubanos em 1975, e se os acordos de Alvor tivessem sido implementados como previsto, “a independência da Namíbia teria acontecido muito mais cedo”.

“Este foi também outro logro da intervenção russo-cubana, com ajuda de Portugal a Angola, com consequência de os angolanos estarem a pagar dívidas da guerra que não encomendaram aos russos, cubanos e portugueses, acrescendo a transformação de Portugal como domicílio da maior parte dos dinheiros roubados ao erário público de Angola”, disse.

O 23 de março foi institucionalizado feriado em Angola em 2018 pelo Governo de Angola, que propôs também no mesmo ano, na qualidade de presidente da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), que a data fosse feriado regional, para comemoração do Dia da Libertação da África Austral.

O Governo angolano justifica que o fim da Batalha do Cuito Cuanavale levou à paz do país e abriu portas ao fim do regime segregacionista racial ('apartheid') que vigorava na África do Sul.

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