Sábado, 19 de Outubro de 2019
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Sexta, 04 Outubro 2019 17:10

Governo do Zimbabué furioso com interdição dos EUA à importação de diamantes do país

O Governo do Zimbabué mostrou-se hoje indignado com a decisão dos EUA de proibir a importação de diamantes das minas de Marange, e negou que nestas exista trabalho forçado, ao contrário do que diz Washington.

"Nunca forçamos ninguém, muito menos crianças, a trabalhar nas minas de diamantes de Marange", disse à agência France-Presse (AFP) o ministro da Justiça do Zimbabué, Ziyambi Ziyambi.

"O Zimbabué tem uma das melhores leis laborais, que não permite o trabalho forçado, e há algum objetivo político por trás da proibição dos EUA", acrescentou.

O ministro considerou que esta proibição "é um novo argumento para manter as sanções" ao Zimbabué, referindo-se às sanções dos EUA contra cem empresas estatais e personalidades daquele país, impostas desde 2003, e que abrangem o atual Presidente, Emmerson Mnangagwa.

Os Estados Unidos da América anunciaram, esta semana, a proibição à importação de diamantes de Marange, por causa do uso de trabalho forçado nas minas daquela região.

"Quando houver informações suficientes disponíveis, a alfândega poderá confiscar propriedades que se acredita terem sido compradas com o resultado do trabalho forçado", afirmou o Departamento de Segurança Interna norte-americano em comunicado.

Vários produtos são abrangidos por essa decisão, incluindo diamantes em bruto das minas de Marange, ouro de "pequenas minas artesanais" no leste da República Democrática do Congo e roupas produzidas por uma empresa na China, bem como luvas descartáveis, fabricadas na Malásia.

O porta-voz do Governo do Zimbabué, Nick Mangwana, disse que "o Governo está profundamente isento de qualquer forma de escravidão e servidão".

"Sugerir que o Zimbabué pratica trabalho forçado nas empresas é malicioso ou totalmente ignorante", sublinhou.

O Zimbabué descobriu diamantes há cerca de dez anos, na região de Chiadzwa (leste), onde estão localizadas as minas de Marange.

O país, que há duas décadas está submerso numa grave crise económica, nunca publicou estatísticas consideradas credíveis sobre as suas atividades com diamantes, que começaram em 2006.

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