Terça, 04 de Agosto de 2020
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Sexta, 17 Janeiro 2020 11:21

“Não é com o FMI que Angola vai reencontrar o caminho do crescimento”, alerta economista

Manuel Alves da Rocha, da Universidade Católica de Angola, diz que a política orçamental prescrita pelo FMI não é a que um país em recessão precisa para recuperar.

Sobre João Lourenço afirma que tem vindo a perder apoio popular, “porque pretendeu representar a mudança, uma nova atitude de organização da economia, só que os resultados não estão a aparecer”.

A economia angolana está em recessão desde 2015 e o acordo entre o Governo e o Fundo Monetário Internacional não oferece a receita apropriada para promover a diversificação, atrair investimento estrangeiro, aliviar as carências sociais e regressar ao crescimento económico, afirmou Manuel Alves da Rocha, Diretor e Coordenador do Departamento de Estudos Económicos da Universidade Católica de Angola.

“Eu não creio que seja com o FMI que Angola reencontre o caminho do crescimento económico em termos sustentáveis”, referiu esta quarta-feira, à margem da cerimónia de lançamento de livro ‘Angola, dois olhares cruzados’, que escreveu com o economista Manuel Ennes Ferreira.

“Angola teve um período a que nós na Universidade Católica de Angola chamamos a mini idade de ouro, de 2002 a 2008. e estamos convencidos que nunca mais o país vai recuperar essas taxas médias de crescimento, que andaram à volta dos 10% a 12%”, adiantou Alves da Rocha.

O livro resulta das crónicas publicadas por Ennes Ferreira em Lisboa, no Semanário Económico e no Expresso, e por Alves da Rocha, em Luanda, no Expansão.

“A nossa óptica ao escolher as crónicas foi essencialmente a fase de João Lourenço na presidência, porque na verdade há uma série de desafios que se colocaram à nova presidência a partir de 2017 e concentramos a atenção em verificar se estavam a acontecer alterações, reformas, transformações”, referiu Alves da Rocha. “Tendo em conta que o grande objetivo de João Lourenço e de certa maneira do seu programa de governação era o combate à corrupção e ver até que ponto é que isso estava a acontecer, em que moldes”.

“Em simultâneo quisemos olhar para uma economia que desde 2015 está em recessão contínua e evidentemente que isso tem reflexos profundos sobre a situação social do país e que nós não vemos para os próximos tempos possibilidades de alterar este percurso decrescente da economia nacional”, sublinhou.

O economista explicou que essa perspetiva negativa não é baseada apenas pelo comportamento do preço do petróleo, mas sobretudo pela falta de reformas que Angola devia ter encetado, com algum dinamismo e alguma persistência e que não fez.

Abaixo do limiar da pobreza

O economista salientou que “Angola vive na miséria”, explicando que o Instituto Nacional de Estatística publicou recentemente o resultado do inquérito sobre a pobreza, demonstrando que 41% da população está abaixo do limiar da pobreza absoluta, que a taxa de desemprego está nos 31% e nos jovens em 53%. “É muita coisa”.

Alves da Rocha acredita que João Lourenço “tem vindo a perder algum apoio popular, porque pretendeu representar a mudança, uma nova atitude de organização da economia, só que os resultados não estão a aparecer”.

“O que temos de perguntar é se as reformas vão no sentido correcto ou seja, se na verdade o acordo que Angola firmou com o FMI é o acordo de que necessita para resolver os problemas económicos, promover a diversificação, atrair o investimento estrangeiro e simultâneamente aliviar as tremendas carências sociais na saúde, na educação, nos rendimentos, no emprego, e eu acho que não é”, vincou.

“A minha posição é que a política orçamental tem que tem ter o seu papel e neste momento o acordo com o FMI, a política orçamental tem de ser uma política minimalista, o Estado tem de reduzir as despesas, tem de reduzir a despesa pública e uma série de coisas que são necessárias para pôr a economia a funcionar”, concluiu o economista. JE

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