Mahmoud Ali Youssouf, Presidente da Comissão da organização, destacou, na sessão de encerramento, que estas foram posições “claramente assumidas”, na Assembleia da UA, órgão supremo, composto pelos chefes de Estado e de Governo dos países membros, que se reúne anualmente em cimeira para definir políticas, prioridades e estratégias continentais.
Ao longo de dois dias de trabalhos, a situação na Guiné-Bissau, suspensa da UA após golpe de estado militar de novembro de 2025 foi várias vezes referidos, com apelos ao regresso da ordem institucional.
Trabalhar para a paz e segurança no continente, “silenciar as armas” foi também sublinhado na conferência de imprensa de encerramento do evento pelo Presidente do Burundi, Évariste Ndayishimiye, que nesta cimeira assumiu a presidência rotativa, sucedendo a Angola, prometendo ter como foco em paz, estabilidade e desenvolvimento industrial.
Évariste Ndayishimiye referiu-se em particular ao conflito na República Democrática do Congo (RDCongo) e ao terrorismo na região do Sahel.
“Há um acordo para cessar (na RDCongo) que está assinado, foi assinado pelas partes, então é preciso cumpri-lo”, afirmou, alertando que pô-lo em ação implica também que as forças estrangeiras regressem aos seus países, numa referência ao Ruanda, que apoia os combatentes do movimento M23 no conflito contra as forças armadas do país, e “que nenhuma das partes retome os combates”.
Sobre o Sahel, o novo Presidente da União Africana qualificou a situação como “complexa” ainda mais porque o terrorismo na região se propaga a outros países, salientou, e por isso precisa da atenção e ajuda da organização e dos seus países-membros.
Durante esta cimeira, a UA lançou também o tema que escolheu como central para 2026: “Assegurar a disponibilidade sustentável de água e sistemas de saneamento seguros para alcançar os objetivos da Agenda 2063”.
A África enfrenta uma profunda crise de água e saneamento, com mais de 400 milhões de pessoas sem acesso a água potável básica e mais de 700 milhões sem saneamento gerido de forma segura, contextualiza a UA.
A este propósito, no decorrer dos trabalhos desta 39.ª cimeira, a presidência cessante da União Africana, exercida pelo Presidente de Angola, João Lourenço, defendeu investimentos significativos que tragam resultados no setor da água e saneamento, para garantir aos africanos o “acesso universal e equitativo” a estes serviços.
Antes, no balanço do mandato de um ano, João Lourenço disse que procurou reforçar o papel da UA como plataforma de concertação política e de ação concreta, promovendo maior articulação entre os Estados-membros e as comunidades económicas regionais, o fortalecimento da abordagem preventiva face aos impactos das alterações climáticas e a mobilização de parcerias estratégicas para o financiamento de infraestruturas resilientes.

