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Quarta, 20 Setembro 2023 10:01

Preços do petróleo Brent e WTI sobem e aproximam-se dos 100 dólares o barril

Os preços do barril de petróleo estão perto dos 100 dólares, devido aos níveis desanimadores da produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos e ao aumento das preocupações com a escassez de oferta global, noticia hoje a Bloomberg.

Pela quarta sessão consecutiva de subida dos preços do petróleo, o barril de Brent, usado como referência para a Europa, subiu 1,49%, para 95,84 dólares, enquanto o barril do crude West Texas Intermediate (WTI), que serve de referência para os Estados Unidos, subiu 2,35%, para 93,63 dólares nas negociações de hoje à tarde.

Estes preços seguem-se a uma recuperação de três semanas, tanto do barril de petróleo Brent, como do barril de crude WTI, fixando-se em máximos de dez meses, respetivamente.

A produção de petróleo dos Estados Unidos nas regiões produtoras de xisto deverá diminuir para cerca de 9,4 milhões de barris por dia (bpd) no mês de outubro, de acordo com a Agência de Informação sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), o nível mais baixos desde maio de 2023, o que terá influencia nos preços, adianta.

Trata-se também do terceiro mês consecutivo em que a produção de petróleo de xisto nos Estados Unidos diminuiu, aumentando assim os receios de haja uma queda da oferta, uma vez que se registaram cortes por parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e por parte dos seus aliados (OPEP+).

A OPEP comprometeu-se também em fazer "cortes significativos" de cerca de cinco milhões de barris por dia - mais de 5% dos fornecimentos globais - com o principal país-membro, a Arábia Saudita, e a aliada Rússia aumentarem os seus cortes.

Os dois países comprometeram-se, agora, em reduzir a sua oferta conjunta em 1,3 milhões de barris de petróleo por dia até ao final do ano, segundo a Bloomberg.

Na segunda-feira, o ministro da Energia da Arábia Saudita, o príncipe Abdulaziz bin Salman, defendeu os cortes no fornecimento de petróleo da OPEP+, alertando também para fatores de risco que estão a influenciar os preços, nomeadamente a inconsistente da procura chinesa, o crescimento europeu e a ação dos bancos centrais para combaterem a inflação.

Craig Erlam, analista sénior de mercados na Oanda, argumentou, entretanto, que a OPEP poderá ter de repensar a sua estratégia, com os cortes prometidos a terem agora um “impacto significativo no preço”, em vez de equilibrarem apenas o mercado.

“Numa altura em que os bancos centrais começam a ver a luz ao fim do túnel da inflação, o petróleo na casa dos 100 dólares será incrivelmente indesejável. Não tenho a certeza se há muita lógica económica em conduzir a economia global para a recessão, se a OPEP+ perseverar com estes cortes, o que me faz questionar até que ponto o preço irá subir e quão sustentável será”, salientou.

O analista-chefe de Commodities da SEB, Bjarne Schieldrop, por sua vez, acredita que o clima económico conturbado “torna preocupante qualquer subida futura dos preços”.

“O mercado imobiliário chinês está em dificuldades e os índices PMI globais têm estado a cair desde meados de 2021, com atividade da economia de muitos países a contrair-se atualmente, isto é, abaixo dos 50 pontos”, salientou.

Schieldrop considerou também que a preocupação com a saúde da economia global e a procura de petróleo no futuro é “absolutamente justificada”.

No entanto, travar a economia global quando esta abranda e tem pela frente a possibilidade de uma recessão, com um preço do petróleo na casa dos 110 dólares o barril, ou mesmo superior, “não é, obviamente, uma coisa inteligente a fazer”, advertiu.

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