Quarta, 29 de Julho de 2026
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Quarta, 29 Julho 2026 17:35

IGAPE garante aos acionistas da Unitel que títulos não serão revertidos apesar dos processos judiciais

O presidente do IGAPE garantiu hoje aos cerca de 11 mil novos acionistas da Unitel que os titulos que adquiriram não serão revertidos, apesar de continuarem pendentes em tribunal ações judiciais de contestação à nacionalização da operadora.

Álvaro Fernão falava à Lusa à margem da estreia da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (Bodiva), respondendo às inquietações levantadas pelos investidores quanto ao risco de perderem a titularidade das ações, um cenário em que também foi analisado no prospeto da oferta pública de venda (OPV).

"A inquietação do investidor é sobretudo se a propriedade que eles compram pode ser retirada. Não, não pode", afirmou o gestor.

O IGAPE, instituto que gere as participações do Estado angolano em empresas, foi a entidade responsável pela venda dos 15% do capital da Unitel (7,5 milhões de ações) na oferta pública e gere os 50% que o Estado detém diretamente na operadora e que teve origem na nacionalização das quotas da Vidatel (de Isabel dos Santos) e da Geni (de Leopoldino Fragoso do Nascimento "Dino").

Álvaro Fernão sustentou que, mesmo em caso de decisão desfavorável ao Estado, a propriedade dos novos acionistas está salvaguardada.

"Dependendo da decisão que o tribunal tomar, se houver condenação, indemnizações e outros aspetos que legalmente possam ser declarados (...), não vejo a possibilidade de ser retirada a propriedade ao novo acionista", declarou.

"Os 11 mil acionistas que estejam descansados, não vão ver revertidos os seus titulos", insistiu, sublinhando que os tribunais são independentes e ainda não proferiram decisões.

O risco está elencado no prospeto da Unitel que detalha os litigios em torno da nacionalização das participações dos antigos acionistas.

Segundo o documento, as ações vendidas resultam de um despacho presidencial que autorizou a privatização, e parte substancial da participação estatal tem origem na apropriação, por nacionalização, das quotas antes detidas pela Vidatel e pela Geni, cada uma com 25% do capital da operadora de telecomunicações, que enfrenta desde a madrugada de terça-feira um ataque cibernético.

No prospeto revela-se que a Vidatel intentou uma providência cautelar para suspender a validade do decreto presidencial que nacionalizou a sua participação, mas que essa providência teve "sentença desfavorável", por não estarem preenchidos os requisitos legais..

As duas sociedades mantêm, porém, ações judiciais a contestar os decretos de nacionalização, que não têm efeito suspensivo sobre a oferta.

No cenário-limite, o próprio prospeto admite que uma decisão final favorável à Vidatel e à Geni poderia conduzir à "reversão da nacionalização e afetar a validade de atos posteriores, mas o mesmo documento refere que Estado poderá requerer ao tribunal a não execução da decisão, por esta ser suscetível de causar *prejuízo grave para o interesse público", propondo em alternativa uma indemnização aos autores dos processos.

Além deste, o prospeto lista dezenas de outros fatores de risco, entre os quais a exposição à evolução da dívida pública, a dependência do contrato de concessão e das licenças, riscos fiscais associados a processos em curso com a Administração Geral Tributária (AGT), a intensificação da concorrência, o risco cambial e a possibilidade de as ações sofrerem flutuações de preço e volume.

Álvaro Fernão classificou a operação da Unitel como "fantástica", recordando que envolveu cerca de 300 mil milhões de kwanzas (289 milhões de euros), e considerou que o esforço de reposição da rede, após o ataque informático, demonstra a resiliência da empresa.

O presidente do IGAPE adiantou ainda que a próxima entrada em bolsa deverá ser a do Standard Bank, prevista até ao final do ano.

Questionado sobre a meta de privatizar dez empresas até ao final do ano, o gestor considerou-a exequível, desde que reunidas as ferramentas necessárias, explicando que a maioria dos ativos é privatizada por concurso público com prévia qualificação, através da entrada de um parceiro estratégico, sendo depois levados à bolsa nos anos seguintes.

Entre os próximos concursos, apontou a Angola Telecom como prioridade, além de uma participação de 1,44% do BCA, a Nova Cimangola e outros pequenos ativos em que o Estado detém participações até 15%.

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