Domingo, 14 de Julho de 2024
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Quarta, 10 Julho 2024 16:20

Oposição angolana pede mobilização para cobrar promessas eleitorais

Os líderes da Frente Patriótica Unida (FPU), plataforma que congrega UNITA, Bloco Democrático e projeto político PRA-JA Servir Angola, apelaram hoje à mobilização popular para “cobrar” promessas eleitorais e anunciaram ações de luta com a sociedade civil.

Num balanço sobre os dois anos do segundo mandato do Presidente angolano, João Lourenço, que voltou a ganhar as eleições em 2022, apesar do MPLA ter obtido o seu pior resultado de sempre, o líder da FPU e da UNITA, Adalberto Costa Júnior, traçou um retrato negro de Angola na atualidade e afirmou que a ambição de manter o poder está “a destruir a nação” e a “desesperar” os angolanos.

Perante convidados, que incluíam membros do corpo diplomático, representantes de outros partidos e elementos da sociedade civil e de organizações religiosas, Adalberto Costa Júnior leu uma declaração sobre a degradação do país, sublinhando que a crise que se vive em Angola tornou o quotidiano da maioria dos angolanos “um autentico calvário”.

Adalberto Júnior considerou que, apesar da falta de legitimidade das eleições que deram a vitória ao MPLA, partido no poder desde 1975, o executivo é obrigado a “cumprir escrupulosamente o programa que apresentou aos leitores”.

O político afirmou que se justifica uma conjugação de esforços entre a FPU e o povo para “concretizar a alternância em 2027”, data em que se realizam novas eleições gerais, e apelou às forças vivas da nação para que definam uma agenda comum, disponibilizando-se a “empreender ações de pressão democrática” e a dialogar “para encontrar soluções” para acudir à fome dos angolanos.

“É preciso sair da zona de conforto”, realçou, afirmando que há uma “necessidade de mobilização para salvar Angola deste caminho de imobilismo” e que as lideranças da FPU vão sair para a rua em protesto ainda esta semana.

Sobre a declaração, disse que se trata também de um ato cívico e de sensibilização, acrescentando que o documento vai ser entregue às instituições “em busca do diálogo institucional".

Abel Chivukuvuku, coordenador-adjunto da FPU e líder do projeto politico PRA-JA Servir Angola, que tenta formalizar como partido político desde agosto de 2019, destacou que a FPU surgiu como “oxigénio para a política nacional” e tem representado um desafio extraordinário para o regime autocrático que governa o país, o qual tem tentado inviabilizar a sua existência, inclusive fazendo circular notícias fabricadas.

Com o aproximar de eleições em 2027, “tudo vão tentar, mas não vão conseguir”, avisou o dirigente, que pertenceu à UNITA durante vários anos e foi fundador da coligação CASA-CE, de que foi afastado em 2019.

O presidente do Bloco Democrático e coordenador adjunto da FPU, Filomeno Vieira Lopes, reforçou o objetivo de criar uma “agenda consensual” com a sociedade civil, que inclui pontos como a luta pelas autarquias e pela libertação dos presos políticos, salientando que a manifestação é também um processo de pressão democrática.

“Esta luta tem de ser feita, temos de mudar”, exortou, lamentando as fraudes eleitorais “sistemáticas”.

“Nós estamos num estado autocrático com viés securitário extremamente elevado, é preciso conjugação de esforços”, insistiu.

Francisco Viana, membro da sociedade civil e também coordenador-adjunto da FPU, salientou que as autarquias são “um direito do povo angolano” e é preciso lutar por ele, através da mobilização da sociedade civil.

Deixou também recados aos diplomatas presentes, lamentando que a sociedade ocidental, que apoia a Ucrânia, em África não apoie a democracia.

“Como é que Biden defende a democracia na Ucrânia e apoia um ditador em Angola”, questionou, pedindo que comecem a olhar para o povo angolano, “que está cansado”, sob pena de surgimento de “instabilidade” no país.

No diagnóstico sobre a degradação de Angola, Adalberto Costa Júnior criticou o desempenho do executivo, apontando o aumento da pobreza, o “estado caótico” da saúde e a educação “decadente”, mas também políticas económicas que resultaram numa elevada inflação e desvalorização da moeda, que se refletiram na drástica redução do poder de compra, aliada ao “despesismo desenfreado” e falta de transparência na contratação pública.

As críticas visaram também os “desvios” de verbas do Orçamento Geral do Estado, sob a forma de créditos adicionais, que serviram para sustentar as campanhas políticas do partido do poder e para a “compra de consciência de jornalistas” e dos meios de comunicação social públicos ou ligados ao regime.

Focou também as “ações de intolerância política que proliferam”, cujos autores saem sempre impunes, citando ataques contra deputados da UNITA e vandalização de sedes do Bloco Democrático, destacando a “subversão do Estado democrático e de direito”, com agentes de polícia e serviços de segurança do Estado sujeitos a “ordens superiores” contrárias à Constituição e à lei.

“Aqui é só ditadura e propaganda”, criticou, lamentando as “manobras dilatórias” para adiar a institucionalização de autarquias e apelando a reformas políticas, à revisão da Constituição para permitir a eleição direta do Presidente da República e à despartidarização da comunicação social e dos sistemas judicial e eleitoral.

“Devemos lutar pela institucionalização das autarquias, impedindo que o regime se furte ao cumprimento deste compromisso”, continuou o presidente da UNITA, sublinhando que todos têm a obrigação de cobrar do executivo promessas como a da criação de 500 mil empregos ou da construção das linhas férreas Malanje/Lunda Norte, Lunda Norte/Lunda Sul e Lunda Sul/Moxico.

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