Quarta, 05 de Agosto de 2020
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Terça, 16 Junho 2020 16:55

MPLA: Ovimbundus sentem-se órfãos de Eduardo dos Santos

Militantes, ovimbundus, do MPLA, têm vindo a se manifestar contra uma alegada discriminação que têm vindo a sofrer por parte da liderança do partido. Em causa está a fraca representatividade nas estruturas do governo e no partido do poder, deste que é o maior grupo étnico-linguístico de Angola.

Uma fonte no “Kremlin”, disse ao Confidence News que o debate sobre “essa discriminação” começa a ganhar vigor, uma vez que “não está” e “nem se pode” colocar em causa a competência dos quadros ovimbundus no partido.

Para ilustrar a “gravidade” da situação, a fonte apontou que na estrutura de topo do Executivo angolano, apenas está a ministra da Saúde, Sílvia Lutukuta, ovimbundu da província do Huambo. Já no partido, ao nível da direcção central, Jorge Inocêncio Dombolo, natural de Kuíto – Bié, ocupa um cargo “quase insignificante”.

Na Assembleia Nacional, referiu, o quadro é “praticamente” o mesmo. Os ovimbundus estão a ser marginalizados. A gravidade da situação, disse, assenta no facto do MPLA, que quase nunca conseguiu ganhar com maioria absoluta nas províncias do Huambo, Bié e Cuando Cubango, poder ver os seus objectivos eleitorais comprometidos nos próximos pleitos.

Ainda de acordo com a fonte, a situação está a fomentar “certo saudosismo” em relação ao antigo Presidente da República e do Partido, José Eduardo dos Santos, que diferente de Lourenço, “sempre valorizou a grande representação” dos Ovimbundus no seu governo bem como nas estruturas do partido.

“Apesar de João Lourenço ser de Benguela, os ovimbundus sentem-se órfãos. Sentem que foram melhor tratados no tempo de José Eduardo dos Santos”. Ouvido por este portal, uma influente personalidade académica da província do Huambo, disse que em termos de importância de estratégia geopolítica, o Huambo não pode ser ignorado, por concentrar o maior grupo étnico-linguístico do país.

Recuando na história, disse que “não foi em vão”, que os colonizadores sonharam instalar a capital no Huambo e que em 1975, a UNITA e a FNLA entenderam fazer da província a capital da “República Democrática de Angola”.

Contou que não consegue perceber a postura de JLo em relação aos ovimbundus, o que pode vir a reduzir a base de apoio do MPLA. Confidence News

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