Print this page
Terça, 12 Mai 2026 09:48

12 detidos após morte de congolês acusado de “desaparecer” órgão genital

A Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP) anunciou a detenção de 12 cidadãos acusados de envolvimento em actos de agressão física relacionados com rumores sobre supostas práticas de feitiçaria atribuídas a cidadãos da República Democrática do Congo (RDC).

As autoridades confirmam que um cidadão perdeu a vida na sequência destes actos violentos.

O caso surge num contexto de crescente alarmismo social em várias províncias do leste de Angola, onde circulam relatos sobre alegados episódios de “desaparecimento” ou encurtamento de órgãos genitais, fenómeno que tem sido associado, sem provas, a cidadãos congoleses. O pânico instalado levou a episódios de perseguição, espancamentos e restrições de circulação contra indivíduos oriundos da RDC.

Em declarações à imprensa, a porta-voz da DIIP, Quintina Ferreira, informou que sete detenções ocorreram na província da Lunda-Norte e cinco no Moxico. Segundo explicou, na Lunda-Norte registou-se um caso de homicídio por espancamento, além de uma ocorrência de ofensa à integridade física contra um professor.

Já na província do Moxico, dois dos suspeitos foram submetidos a medidas de coacção mais gravosas, enquanto prosseguem as investigações sobre os incidentes.

As autoridades garantem, no entanto, que até ao momento não existe qualquer evidência que confirme os alegados casos de desaparecimento de órgãos genitais. Quintina Ferreira sublinhou que todos os cidadãos que apresentaram queixa foram observados pelas autoridades e mantêm os órgãos “intactos e funcionais”.

“Até agora, as pessoas supostamente lesadas com este acto de ‘desaparecimento’ de órgãos genitais, postas no piquete da Polícia Nacional, encontram-se com os órgãos genitais no corpo, intactos e funcionais”, afirmou.

A DIIP considera que a situação resulta de uma onda de desinformação e alarmismo social alimentada por indivíduos de má-fé, alertando a população para evitar actos de violência ou justiça pelas próprias mãos.

A Polícia Nacional apelou ainda à calma, reforçando que não existe qualquer caso comprovado relacionado com as alegadas práticas de feitiçaria. Segundo as autoridades, o medo generalizado já começa a afectar a mobilidade de cidadãos em algumas zonas do país, sobretudo no leste de Angola.

“A Polícia Nacional quer tranquilizar a população de que não há nenhum caso confirmado e que não há necessidade de pânico ou alarmismo”, reforçou Quintina Ferreira.

As autoridades condenam os actos de violência praticados contra cidadãos acusados sem provas e asseguram que todos os envolvidos serão responsabilizados criminalmente. A DIIP revelou igualmente que já foram reportados dois casos semelhantes em Luanda, estando em curso diligências para identificar e deter outros suspeitos ligados às agressões.

Rate this item
(0 votes)

Latest from Angola 24 Horas

Relacionados

Template Design © Joomla Templates | GavickPro. All rights reserved.