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Sexta, 12 Junho 2026 19:33

Empresa israelita é investigada por alegada interferência em Angola, diz Governo francês

A empresa israelita BlackCore, suspeita de ter conduzido operações de interferência nas eleições autárquicas francesas realizadas em Março, é também apontada pelas autoridades francesas como estando ligada a actividades de influência digital em Angola, Togo, Escócia e Nova Iorque.

A informação foi avançada esta quinta-feira pelo Viginum, o organismo francês responsável pela monitorização e combate à desinformação e às ingerências estrangeiras no espaço digital.

No mês passado, a Reuters revelou que as autoridades francesas suspeitavam do envolvimento da BlackCore numa campanha de difamação online dirigida contra três candidatos do partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), durante as eleições municipais em França.

Durante uma conferência de imprensa realizada em Paris, o director do Viginum, Marc-Antoine Brillant, afirmou que as análises técnicas conduzidas pelos serviços franceses permitiram identificar ligações entre as operações investigadas e a empresa israelita. Na ocasião, foi também divulgado um relatório detalhado sobre as alegadas actividades da BlackCore em diferentes regiões do mundo.

Segundo Brillant, os métodos utilizados não se limitaram ao território francês.

“Este modus operandi não se restringiu às eleições municipais em França. Existem indícios de que o mesmo modelo foi utilizado em operações de interferência digital estrangeira noutros países e territórios, incluindo Angola, Togo, as eleições na Escócia e as eleições municipais de Nova Iorque em 2025”, declarou.

Apesar dos avanços da investigação, as autoridades francesas admitem não ter ainda conseguido identificar quem terá financiado ou ordenado as alegadas operações.

“As nossas investigações não permitiram determinar a identidade do patrocinador ou dos patrocinadores, caso existam, por detrás desta interferência digital estrangeira”, acrescentou o responsável do Viginum.

Também presente na conferência de imprensa, o ministro francês das Forças Armadas, Sébastien Lecornu, revelou que Paris solicitou esclarecimentos ao Governo israelita sobre as actividades atribuídas à BlackCore, bem como apoio para identificar os responsáveis pela campanha de desinformação.

“Solicitámos naturalmente assistência e explicações. Não tenho dúvidas de que, se uma empresa privada francesa estivesse envolvida em operações de interferência digital em Israel, as autoridades israelitas reagiriam da mesma forma”, afirmou.

Até ao momento, permanece por esclarecer quem poderá estar por detrás das alegadas operações de influência digital identificadas pelas autoridades francesas. A inclusão de Angola no relatório do Viginum surge num contexto de crescente preocupação internacional com a utilização de campanhas online para influenciar processos políticos e eleitorais em diferentes países.

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