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Terça, 10 Março 2026 19:37

"UNITA nunca esteve tão próximo de assumir o poder"

UNITA propõe um pacto de estabilidade democrática para garantir eleições livres e transparentes em 2027. À DW, Nelito Ekuikui, fala sobre os 60 anos do partido, os desafios da oposição e a disputa pelo poder em Angola.

A UNITA assinala 60 anos de existência numa fase especial na sua história. O maior partido da oposição em Angola prepara-se para celebrar o aniversário da sua fundação, que ocorreu a 13 de março de 1966, no Moxico, então ainda sob domínio colonial português. As comemorações incluem a realização das XIII Jornadas Parlamentares do Grupo Parlamentar do Galo Negro, precisamente na província onde nasceu o movimento que mais tarde se tornaria um dos principais partidos do país.

Ao mesmo tempo, a UNITA anunciou novos passos no plano político. O partido pretende apresentar formalmente o chamado "Pacto de Estabilidade Democrática" a partidos políticos, igrejas e organizações da sociedade civil, com o objetivo de defender eleições consideradas livres, transparentes e credíveis em 2027. A direção da UNITA também confirmou que o seu presidente, Adalberto Costa Júnior, será o candidato presidencial no próximo escrutínio.

Neste contexto, o líder da JURA, braço juvenil da UNITA, Nelito Ekuikui, fala à DW África sobre o significado dos 60 anos do partido, os desafios atuais da oposição e as perspetivas políticas para os próximos anos em Angola.

DW: Como o seu partido vai celebrar os 60 anos?

Nelito Ekuikui (NE): A UNITA vai celebrar os seus 60 anos de existência na província do Moxico, localidade de Mwangai. A UNITA foi fundada a 13 de março de 1966 nesta localidade. Vamos festejar em Mwangai pelo seu simbolismo, para o retorno às nossas origens.

DW: 60 anos de história e luta no campo de batalha e também luta política, no entanto, a UNITA nunca conseguiu ascender ao poder. Porquê?

NE: Relativamente à ascensão ao poder, a UNITA nunca esteve tão próxima de assumir o poder como está agora. Há uma vontade generalizada ao nível do país de que é preciso mudar o poder, ou seja, é preciso que Angola tenha alternância política. E o partido que está melhor preparado, com uma liderança congregadora, efetivamente é a UNITA. Não existe outro partido em Angola com capacidade de oferecer aos angolanos aalternância em 2027. Estou certo de que a UNITA vai ser governo, sim senhor.

DW: O candidato está escolhido?

NE: O candidato é Adalberto Costa Júnior, foi confirmado no último congresso.

DW: Quanto às eleições de 2027, haverá igualdade de oportunidades ou haverá ainda melhoramentos nesse aspeto que deverão ser introduzidos no sistema eleitoral angolano?

NE: Penso que o MPLA vai introduzir cada vez mais elementos nas alterações das leis que lhe favorecem. Ainda assim, estou certo de que isso não vai impedir a vontade dos angolanos de operar a alternância política. Não acredito que vamos para uma eleição em paridade, porque o MPLA controla todas as instituições do Estado, desde a administração eleitoral à administração da justiça. Portanto, é impossível e não é real dizer que vamos com o MPLA em pé de igualdade. Agora, há uma vantagem muito expressa que a UNITA tem: o apoio generalizado. E nesse aspeto o MPLA não tem como desafiar a UNITA neste preciso momento. Estou certo de que, independentemente dessas artimanhas que o MPLA vai fazendo para se manter no poder, já não há mais espaço para a tolerância do povo.

DW: A UNITA propõe um denominado pacto de estabilidade democrática. Em que consiste esse pacto e quais os objetivos?

NE: O pacto de estabilidade democrática visa fundamentalmente preparar eleições num clima de paz e num clima de confiança, para que haja uma transição democrática no país, construindo laços de confiança para que nenhuma das partes pense que, terminado o seu mandato, é o fim da sua vida. Visa fundamentalmente criar um ambiente de tranquilidade no país..

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