Segundo o líder da maior força política da oposição, o encontro decorreu num ambiente de “diálogo construtivo”, centrado no reforço das relações institucionais, na cooperação bilateral e na análise da atual conjuntura política e social do país.
Adalberto Costa Júnior sublinhou a importância de um diálogo franco e respeitoso entre instituições, defendendo que este constitui um pilar essencial para a consolidação da democracia, da estabilidade e do desenvolvimento sustentável em Angola.
Durante a audiência, o dirigente abordou preocupações relacionadas com o atual momento político nacional, referindo-se à tramitação de propostas legislativas na Assembleia Nacional que, no seu entendimento, podem colocar em causa direitos constitucionais.
“Um sonho não é uma garantia num momento em que temos leis a virem para a Assembleia a criminalizar direitos constitucionais”, afirmou, defendendo maior empenho coletivo na construção de “uma melhor Angola”.
O líder da UNITA reiterou que o país reúne condições para prosperar, mas considerou urgente “virar a página” e criar um ambiente pré-eleitoral marcado pela estabilidade e por garantias claras. Nesse âmbito, revelou ter partilhado com a diplomata norte-americana iniciativas do partido, incluindo o denominado Pacto de Estabilidade, documento que deverá ser submetido ao Comité Permanente da ONU no final da semana, esperando-se a sua aprovação definitiva nos próximos dias.
Questionado sobre a posição da diplomacia norte-americana em relação às questões democráticas — uma das principais bandeiras da UNITA —, Adalberto Costa Júnior afirmou que foram debatidos vários aspetos, incluindo a observação eleitoral internacional.
O presidente da UNITA destacou que os Estados Unidos veem Angola como um parceiro relevante, reconhecendo, contudo, o pragmatismo da atual administração norte-americana, sobretudo no que diz respeito à defesa das empresas e do mercado. “Sobre esta matéria, nós não temos absolutamente nada contra”, declarou.
Para o dirigente, a competição empresarial é saudável e pode representar uma oportunidade para Angola, especialmente nos domínios da tecnologia, do financiamento e da criação de empregos. Considerou, no entanto, que o país precisa assegurar estabilidade política, segurança jurídica e continuidade do Estado para atrair e consolidar o investimento estrangeiro.
Adalberto Costa Júnior defendeu ainda que Angola deve evitar cenários de instabilidade eleitoral, como se verificou recentemente em alguns países africanos, sublinhando que o objetivo é promover um ambiente de confiança, diálogo e estabilidade que favoreça tanto o processo democrático quanto o desenvolvimento económico.
O encontro insere-se no quadro dos contactos institucionais regulares entre forças políticas angolanas e representações diplomáticas acreditadas no país.

