A maior parte dos jovens critica, e existe um pensamento colectivo nesse sentido. No entanto, na hora de agir, prevalece o individualismo — cada um pensa apenas em si.
Trata-se de um verdadeiro paradoxo:
queremos uma realidade melhor, mas acabamos por agir de forma contrária a esse objectivo.
O que o país realmente precisa
Para garantir melhorias como:
━ merenda escolar
━ saneamento básico
━ emprego
━ aumento de salários
━ empresas sólidas
não é necessário muito — apenas dois factores fundamentais:
✔ Capital humano
✔ Recursos financeiros
Recursos financeiros: temos, mas não circulam correctamente
Recursos financeiros existem.
O problema é que grande parte desses recursos não retorna ao Estado, devido à informalidade e à fuga de divisas.
Capital humano: o verdadeiro défice
O maior desafio está no capital humano.
É pela falta de capacidade técnica e estrutural que:
━ não conseguimos organizar a economia
━ não mitigamos os efeitos da informalidade
━ não alcançamos as melhorias colectivas desejadas
Onde está o problema?
Muitos criticam os governantes (Ministros, PCA, Coordenadores…).
No entanto, com base na minha experiência em vários departamentos ministeriais e outras instituições, posso afirmar:
O problema não está, necessariamente, nos governantes, mas sim nos técnicos.
Embora as decisões sejam assinadas por responsáveis máximos, estas baseiam-se em pareceres técnicos elaborados pelos gabinetes de apoio.
Monetização digital: benefícios individuais vs prejuízos colectivos
A monetização de conteúdos e campanhas publicitárias em plataformas digitais internacionais gera:
━ benefícios individuais
━ prejuízos colectivos
(Os críticos também irão querer que o Estado crie redes sociais, certo?)
Benefícios Individuais
? Criadores de conteúdo
━ Recebem pagamentos em divisas (dólares ou euros)
━ Podem receber em contas dentro ou fora de Angola
━ Quando o dinheiro entra em bancos nacionais, há ganho em comissões de conversão de moedas e outras despesas.
? Anunciantes
━ Empresas ou indivíduos que fazem campanhas pagam em divisas
━ Os bancos beneficiam com:
━ carregamento de cartões Visa
━ taxas de transação
Conclusão dos benefícios
O dinheiro pago por empresas e cidadãos angolanos para publicidade:
sai directamente da economia nacional em divisas.
Prejuízos Colectivos
Num sistema de economia de mercado, o Estado vive dos impostos gerados pela actividade económica.
Além disso, a valorização da moeda depende dos serviços pagos em moeda nacional.
Por isso, o Banco Nacional de Angola (BNA) define políticas para proteger o Kwanza, incluindo:
Residentes cambiais não devem pagar serviços em Angola, para consumo em Angola, em divisas.
Principais prejuízos
1 - Desvalorização do Kwanza
Pagamentos de publicidade digital em divisas aumentam a pressão cambial e contribuem para a desvalorização da moeda nacional.
2 - Perda de receitas fiscais
As plataformas internacionais não pagam impostos em Angola, como:
━ Imposto Industrial
━ IVA
━ IRT
━ IAC
3 - Dependência externa
Angola torna-se dependente de plataformas digitais internacionais para:
━ crescer
━ comunicar
━ escalar negócios
Dimensão real do problema
Com base numa amostra real de consumo e numa projeção de aproximadamente 8% dos 12.000.000 de utilizadores de internet em Angola, conclui-se que:
O valor estimado de saída de divisas através das redes sociais atinge:
96.697.600 USD por ano
Equivalente a aproximadamente 88.633.011.200 Kz (ao câmbio médio de 917 Kz/USD)
Interpretação directa
Estamos a enriquecer plataformas estrangeiras enquanto empobrecemos a nossa própria economia.
Todos os dias:
━ dinheiro sai
━ valor não é retido
━ a economia enfraquece
? Impacto estrutural
Esta dinâmica, baseada em ganhos individuais, não é sustentável.
Como consequência:
━ aumenta a dependência externa
━ reduz-se a capacidade de investimento interno
━ reforça-se a necessidade de financiamento externo
O dinheiro que deveria circular dentro da economia angolana:
sai diariamente — e em divisas.
Reflexão Final
Neste novo modelo económico:
ninguém é apenas espectador — somos todos actores
Apontar o dedo não resolve.
A solução exige mudança de comportamento:
━ primeiro: acção colectiva
━ depois: benefícios individuais
O contrário apenas agrava a situação.
Mensagem-chave
Se continuarmos a priorizar ganhos individuais em detrimento do colectivo:
estaremos a contribuir directamente para o enfraquecimento da nossa própria economia.
Por: Tomás Alberto

