Print this page
Sexta, 13 Março 2026 22:31

João Lourenço e o discurso da trapaça

O presidente João Lourenço tem procurado desinformar os angolanos, sobretudo quando se trata da sua eminente retirada da vida política pública.

Nota-se-lhe no semblante um medo aterrorizante quando se refere às próximas eleições. Na sua última intervenção, o medo ficou estampado ao afirmar, inadvertidamente, que o discurso de antecipação de fraude eleitoral é perigoso.

Segundo ele, tal discurso deve ser contundentemente combatido até à exaustão. Afinal, em que momento a maioria esmagadora do país civilizado deverá combater afirmativamente a fraude eleitoral já programada?

Infelizmente para o presidente, o país político-social está mais do que ressabiado, pois não confia minimamente no presidente do MPLA e da República.

Aliás, o discurso do líder do MPLA, além de venenosamente enviesado e destrutivo, também mostrou que o governante pretende desmobilizar a juventude de vigiar as movimentações dos promotores da fraude eleitoral e, assim, montar uma estrutura baseada no proselitismo político para desse modo blindar uma eventual candidatura da sua esposa à cadeira presidencial da República.

O país social certamente dará uma resposta contundente a qualquer tentativa de manipular os cidadãos para facilitar o roubo das eleições.

João Lourenço sabe que, em 2027, a fraude eleitoral não se sustentará. O presidente do MPLA tem apenas uma saída para garantir a entrega da Presidência da República à sua esposa, Ana Dias Lourenço.

Essa possibilidade única terá de passar pelo derramamento de sangue inocente em solo pátrio, como já aconteceu em outros momentos críticos da nossa história pós-independência.

A fraude já está em fase conclusiva.

A recondução do senhor Manico para presidir à Comissão Nacional Eleitoral (CNE) é vista por milhões de angolanos como a clássica continuidade prática da fraude eleitoral.

Quem confia em João Lourenço, que o compre. É entendível que a fraude eleitoral não se consuma apenas no ato de votação.

O roubo eleitoral em 2022 não foi concluído apenas com o ato de votação.

A fraude foi um processo construído ao longo dos quatro anos anteriores que antecederam o roubo em 2022.

Para muitos analistas, o percurso da referida fraude em 2027 começou com a aprovação de diplomas legais avulsos, como a lei das fake news e a chamada Lei Paka, dentre outras leis injustas.

Outro procedimento considerado extremamente contaminado e agressivo para alguns setores da sociedade é a monstruosa divisão administrativa do território. Tal medida é interpretada como um sinal demonstrativo de que João Lourenço é um político que se utiliza de métodos arcaicos para subjugar e humilhar os angolanos.

Esse modo obsessivo apenas reforça o pensamento reinante de que a divisão administrativa serviu para dividir os angolanos e para evitar a realização das eleições autárquicas.

O período que Angola vive pode ser descrito como de grande turbulência e de obscuridade horripilante.

João Lourenço transformou Angola numa espécie de sala de comédia política, onde a piada já chega pronta.

Os cidadãos descrevem as trafulhices do presidente como encenações baratas, próprias de um teatro burlesco instalado no seio do MPLA.

Torna-se imperioso retirar, com urgência, o povo do estado de letargia humilhante.

A luta contra as tentativas de fraude só poderá ser bem-sucedida se houver união e vigilância cidadã para contrapor a influência desproporcional dos agentes do regime liderado por João Lourenço.

A capacidade expansiva do programa de governo do MPLA é vista por diversos críticos como limitada e intelectualmente pouco convincente.

No grande teatro da interpretação política, o cidadão depara-se com um país que ainda vive o rescaldo de uma das maiores fraudes eleitorais já vistas, seguida de uma estrondosa derrocada económica.

É importante levar em conta que Angola, muitas vezes, se apresenta como um berço de contradições geopolíticas. Essa situação lembra momentos dramáticos somente comparados a enredos intensos, dignos de novelas ou dramas políticos mexicanos.

A fórmula usada pelo regime é tão caricata e inquietante que chega a lembrar um cenário apocalíptico, reconhecido por muitos como uma interpretação quase absurda da realidade política obsoleta.

O país social não pode continuar a ser exposto a mais sacrifícios.

Angola tem um histórico marcado por episódios traumáticos e agressões contra os seus cidadãos.

Faz-se necessário aprender com os nossos erros e com as práticas nocivas do nosso passado recente. Não se pode esquecer os assassinatos de angolanos bacongos e ovimbundos realizados de forma indiscriminada em 1992, após o pleito fraudado pelo regime comunista do MPLA.

O presidente do MPLA terá que aprender que Angola não significa República do MPLA. Ele tem tentado “emprenhar o povo pelos ouvidos” quando procura demonstrar que haverá vida após excluir, de dentro do MPLA, os candidatos à presidência do partido.

Para muitos críticos, isso acaba por soar como uma tentativa de subestimar a maturidade política do povo angolano.

Angola não quer ter um Presidente da República que seja promotor da necropolítica governativa.

Estamos juntos.

Por Raúl Diniz

Rate this item
(0 votes)

Latest from Angola 24 Horas

Relacionados

Template Design © Joomla Templates | GavickPro. All rights reserved.