A posição foi expressa na abertura das conversações oficiais entre as delegações dos dois países, no âmbito da visita de Estado do Presidente gabonês, Brice Clotaire Oligui Nguema, que cumpre uma agenda de vários dias em território angolano.
Apesar dos laços históricos e da cooperação mantida desde a independência, João Lourenço admitiu que os níveis de intercâmbio não correspondem às expectativas, sublinhando a urgência de revitalizar os mecanismos de colaboração existentes.
Neste sentido, o Chefe de Estado angolano apontou como prioridade o reforço da implementação do Acordo Geral de Cooperação Cultural, Científica e Técnica, assinado em 1982, bem como de outros instrumentos jurídicos que enquadram as relações bilaterais.
João Lourenço considerou que a visita do homólogo gabonês representa uma oportunidade estratégica para relançar a cooperação, com base em iniciativas concretas e na assinatura de novos acordos que promovam benefícios mútuos.
O estadista angolano defendeu que os dois países devem transformar os laços históricos e fraternos em oportunidades reais de desenvolvimento, capazes de impulsionar o crescimento económico, melhorar o bem-estar das populações e reforçar a integração regional.
Neste quadro, advogou a realização, em Luanda, da terceira sessão da Comissão Mista Bilateral, vista como um instrumento essencial para o acompanhamento e execução das decisões conjuntas.
No plano continental, João Lourenço reiterou o compromisso com a União Africana e com a Agenda 2063, destacando a importância da mobilização de investimentos internacionais para projectos estruturantes no continente.
O Presidente sublinhou ainda o papel do Gabão no Comité Directivo da AUDA-NEPAD, defendendo uma maior coordenação entre os Estados africanos para enfrentar os desafios comuns do desenvolvimento.
Por sua vez, Brice Clotaire Oligui Nguema manifestou o interesse do Gabão em aprofundar a cooperação com Angola, sobretudo no sector petrolífero, indicando a intenção de aprender com a experiência angolana na gestão das relações com as companhias internacionais e no repatriamento de receitas.
O líder gabonês destacou também a necessidade de diversificação económica, apontando a agricultura e outros sectores como prioridades, e defendeu que os recursos naturais devem gerar benefícios directos para as economias nacionais.
A visita de Estado ficou igualmente marcada pela assinatura de acordos de cooperação em áreas como florestas e ambiente, segurança pública e extradição, num momento que ambos os Chefes de Estado consideram determinante para abrir uma nova etapa nas relações entre Angola e o Gabão.

