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Preço do dólar nas ruas de Luanda acompanha quebra no kwanza e sobe

Preço do dólar nas ruas de Luanda acompanha quebra no kwanza e sobe

O preço para comprar divisas nas ruas de Luanda continua a derrapar, incorporando as depreciações, face às moedas norte-americana e europeia, provocadas pela introdução, a 09 de Janeiro, do novo regime flutuante cambial.

Numa ronda hoje por alguns dos bairros da capital angolana, a Lusa encontrou 'kinguilas', como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas na rua - negócio ilegal e que a polícia tenta combater - a transacionarem uma nota de 100 dólares por 45.000 kwanzas, enquanto cada nota de Cem euros já ronda os 54.000 kwanzas.

Em agosto último, por altura das eleições gerais angolanas, a compra de cada dólar norte-americano estava em mínimos de 2017, rondando os 370 kwanzas, sendo esta uma alternativa, embora a preços especulativos, para angolanos e expatriados que não conseguem comprar divisas aos balcões dos bancos, face à crise cambial.

Desta forma, no espaço de cerca de uma semana, o euro valorizou mais 5% face ao kwanza angolano, permanecendo com uma cotação mais de duas vezes superior à taxa oficial de câmbio, do Banco Nacional de Angola (BNA), tal como o dólar.

O mercado de rua em Luanda já incorpora a desvalorização do kwanza, ocorrida novamente esta semana, nas transações que se realizavam hoje na Mutamba, Maculusso e São Paulo.

O mesmo acontece, embora com uma forte quebra no número de negociantes, no bairro dos Mártires de Kifangondo, zona do centro de Luanda apelidada de "Wall Street dos Mártires", dada a quantidade de dólares transacionados, normalmente à vista de todos, diariamente, apesar dos relatos de operações policiais realizadas desde dezembro para combater este tipo de negócio.

O kwanza depreciou-se na terça-feira em mais 11% face ao euro e quase 9% para o dólar norte-americano, no âmbito do novo regime flutuante cambial, segundo cálculos feitos pela Lusa com base nos dados do BNA.

No espaço de uma semana, e desde que a moeda europeia passou a ser a referência para o mercado de câmbios de Angola, a moeda angolana já acumula uma depreciação de quase 25,5% para o euro, que agora vale, na compra, 248,7 kwanzas, e 18% para o dólar, que desde 16 de janeiro vale 203,6 kwanzas.

Desde o primeiro trimestre de 2016 que a taxa de câmbio oficial definida pelo BNA não sofria alterações, nos 166 kwanzas por cada dólar norte-americano e nos 186 kwanzas por cada euro.

Esta nova cotação resulta do leilão de divisas realizado hoje pelo BNA - o segundo desde 09 de janeiro, no âmbito do novo modelo de definição da taxa de câmbio pelo mercado -, no qual participaram 27 bancos comerciais, que compraram os 82,6 milhões de euros que o banco central tinha para vender.

De acordo com informação do BNA consultada pela Lusa, nesta operação foi apurada uma taxa média ponderada de venda de 248,77 kwanzas por cada euro, sendo o valor do dólar e restantes moedas internacionais calculado em função desta cotação.

O banco central angolano explica que contribuíram para o apuramento da taxa de câmbio de referência 14 dos 27 bancos participantes no leilão, tendo a taxa mais alta de compra de cada euro sido de 270,823 kwanzas e a mais baixa de 243,387 kwanzas.

No modelo anterior, a cotação era fixada diretamente pelo BNA e o novo regime flutuante cambial começou a ser aplicado numa altura em que as Reservas Internacionais Líquidas do país estão em mínimos históricos, inferiores a 12.000 milhões de euros, devido à crise da cotação do petróleo.

O governador do banco central angolano disse anteriormente que a moeda angolana não vai ser desvalorizada por ação do Governo, mas deverá sofrer uma depreciação face a outras moedas, consequência do novo regime cambial, que passa da taxa fixa para flutuante.

"Quando falamos em desvalorização, regra geral referimo-nos a uma intervenção administrativa da alteração da taxa de câmbio, forçando a perda do poder de compra da nossa moeda em relação a outras moedas, o que estamos a dizer é que não vamos ter desvalorização, mas deveremos ter uma depreciação", disse José de Lima Massano.

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