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João Lourenço está a ganhar popularidade com "política de símbolos" - investigador

João Lourenço está a ganhar popularidade com "política de símbolos" - investigador

O investigador da Universidade de Genebra, Jon Schubert, disse hoje, em Paris, que o Presidente angolano, João Lourenço, está a ganhar popularidade e influência graças a uma "política de símbolos".

O autor de "Working the System, A Political Ethnography of the New Angola" explicou que mesmo que não passe de "um show", as "ações simbólicas" do novo chefe de Estado têm um impacto junto da população que começa a acreditar na mudança.

"É política de símbolos, podemos dizer que não passa de um show: parar nos semáforos ou fazer fila no KFC [Kentucky Fried Chicken]. São ações simbólicas mas há um impacto no sentido em que as pessoas retomam uma certa confiança de querer acreditar na mudança. Talvez ganhem uma nova [confiança]", afirmou o investigador em entrevista à Lusa e RFI.

À margem da conferência "Angola: de Dos Santos a Lourenço, transição esperada, transformação sustentável?", que hoje decorreu no Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), em Paris, Jon Schubert afirmou que há "uma vontade de mudar o estilo de fazer política" e que não se deve "subestimar o impacto que isso pode ter".

"É um novo estilo de pensar a política e isso abre espaços para pessoas que - até aliadas ao MPLA que até agora ficaram caladas - agora vêm a possibilidade de criticar os últimos dez anos e o legado também do Presidente [José Eduardo] Dos Santos. Isso é importante. Agora, se o poder vai-se tornar mais atento às necessidades da população ainda não sabemos", considerou.

O investigador especificou que, sete meses depois de João Lourenço ter tomado posse, "a grande novidade é que criou uma certa euforia dentro da população" ao apresentar-se "mais como um homem do povo" com "pequenas ações" como "celebrar a festa da independência num município no centro do país", dormir nas províncias e "deslocar-se sem os guardas presidenciais bloquearem a cidade inteira".

As exonerações de cargos de poder ligados ao Estado, nomeadamente dos filhos do anterior presidente, José Eduardo dos Santos, são outras das mudanças, ainda que para "além da mudança das cadeiras" seja preciso ver se "isso vai ter um impacto" como "mexer nos interesses económicos".

O investigador do Global Studies Institute, da Universidade de Genebra, na Suíça, apontou, ainda, que "agora parece que é o João Lourenço" quem manda no partido no poder, o MPLA, liderado pelo ex-Presidente do país e cujo vice-presidente é o atual chefe de Estado de Angola.

"Com muita rapidez, João Lourenço conseguiu impor-se como o chefe que manda, também graças à Constituição 'eduardista' que foi escrita em 2010, que dá esses poderes extraordinários à figura do Presidente e que faz com que, afinal, o presidente do partido, embora tenha tentado, não consegue travar o homem", analisou.

Jon Schubert acrescentou que "isso também mostra que dentro do MPLA já havia muitas pessoas chateadas com a monopolização do poder económico pela família Dos Santos", as quais "agora aproveitam essa mudança para apoiar o novo Presidente e afastar o antigo".

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