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Reginaldo Silva: Começaram a chover as promessas eleitorais…

Reginaldo Silva: Começaram a chover as promessas eleitorais…

Os candidatos que nos perdoem a “intolerância”, mas já não temos disponível nos nossos stocks de paciência, qualquer benefício da dúvida para cedê-lo a título de empréstimo a médio prazo, que é o tempo que demora o pagamento das promessas eleitorais, considerando os cinco anos que limitam as nossas legislaturas. 

Como o “produto” em causa muito dificilmente será reposto nos nossos stocks aos níveis anteriores, por razões que se prendem com a conjuntura, resta-nos olhar para as promessas eleitorais que começaram a chover esta semana, com algum interesse jornalístico e pouco mais em matéria de crédito antecipado. 

Talvez, para estabelecermos algumas comparações quer com o passado, quer com a concorrência, quer ainda com a própria realidade do país, o que nos parece ser algo que os responsáveis pela elaboração destes “sonhos” nem sempre têm em devida conta, na hora de avançarem com a sua quantificação na casa das centenas de milhares ou mesmo dos milhões. 

Mesmo seguindo o poeta que nos continua tentar convencer que o “sonho é que comanda a vida”, preferimos ter como referência de mais esta caminhada terrena a última pastoral dos Bispos Católicos, esta sim com os pés bem mais assentes nesta terra concreta que todos pisamos como país independente já lá vão cerca de 42 anos. 

É esta pastoral que estamos agora a seguir. Para o caso das promessas, trazemos para aqui à colação a passagem referente à necessidade que Angola tem de ser governada no futuro, que já é daqui a 4 meses, pela competência que privilegie o todo nacional sem excepções, uma necessidade que é extensiva a existência de uma oposição forte que “obrigue” quem governa a dar o melhor de si em prol do bem de todos. Depois de mais quatro décadas com o mesmo sistema de poder concentrado numa só força política que apenas se foi adaptando formalmente às transformações que têm estado a ocorrer, há muito que chegamos à conclusão que só num país politicamente mais inclusivo/equilibrado será possível voltarmos a dar algum benefício da dúvida às promessas eleitorais. 

Como é evidente, os Bispos estão cheios de razão, quanto ao que será a melhor chave para fazer Angola descolar, de uma vez por todas, das incertezas, angústias e bloqueios recorrentes que têm acompanhado a sua pesada saga. 

Com as “vacas gordas” que já tivemos, se ao longo destes 15 anos do pós-guerra tivéssemos tido um país politicamente menos “totalitário”, (com aspas, mas também sem elas) teríamos certamente hoje uma outra paisagem social, bem mais simpática, bem mais saudável, bem mais confiante no futuro, do que aquela que sobrou para contar o que teria sido uma grande história de sucesso e que hoje não passa de uma crónica defeituosa que todos os dias tem de ser reescrita. 

Todas as promessas eleitorais em princípio são para serem cumpridas dentro do prazo de cinco anos, não fazendo qualquer sentido que as mesmas depois do tempo expirado desapareçam pura e simplesmente do mapa e sejam substituídas por outras mais novinhas ou recauchutadas, como se nunca tivessem existido. 

O debate eleitoral serve assim e antes de mais para passar em revista de forma, obviamente crítica e abrangente, o que foi prometido nas eleições anteriores pelo partido vencedor. 

É o MPLA que é julgado nesta avaliação e nunca a oposição como às vezes se pretende fazer aqui, tendo como permanente recurso a questão da guerra, que continua a ser usada como plano B, sempre que o “ping-pong político” aquece mais um bocado. 

De outra forma, que é o que se passa em Angola e se chama fuga para frente, devido particularmente ao controlo que o partido no poder tem sobre os principais médias que estão perfeitamente alinhados com a sua estratégia, o país tem vindo a perder uma extraordinária oportunidade que é este grande momento de mobilização nacional que se prolonga por vários meses e precede o dia das eleições propriamente ditas. 

Uma oportunidade para saber o que é que realmente foi feito e como foi, o que é que não foi e sobretudo por que é que não foi, residindo nesta terceira parte da equação a implementação de um conceito que os ingleses chamam de “accountability” e que é muito mais do que prestar ou auditar contas. 

Este conceito que, sintomaticamente, não tem no português uma única palavra que consiga reunir todo o seu significado, quando transportado para a esfera das relações políticas leva-nos para o campo da responsabilização e da ética, sendo nos períodos eleitorais que a sua abordagem ganha ainda mais peso e sentido. 

Os eleitores têm o direito de exigir explicações fundamentadas das pessoas/políticos/governantes que utilizaram dinheiro público para cumprir promessas que garantiram ser possível e depois não o fizeram, ou tendo feito alguma coisa ficaram muito aquém das expectativas. 

Ao escolher como lema geral desta campanha o slogan “Melhorar o que está bem, corrigir o que está mal”, o próprio MPLA aceitou de forma implícita sujeitar a sua governação 2012-2017 a este escrutínio público. 

Trata-se, contudo, de uma tarefa que nas condições de Angola, só os órgãos de comunicação social e os jornalistas têm alguma capacidade de promover, quer através do debate directo entre os candidatos ou os seus representantes, quer através de entrevistas temáticas com políticos e especialistas. 

Para já e do que ouvimos na apresentação feita esta semana do manifesto eleitoral e do programa de governo 2017-2022 do MPLA, muito pouco ou quase nada foi dito sobre os erros que devem ser corrigidos. 

Não se entende muito bem esta passagem ao largo dos erros e com muitas pinças, mas percebe-se que assim seja do ponto de vista da própria estratégia traçada, já que o responsável político (mas não só) dos erros anteriores só se pode chamar José Eduardo dos Santos (JES). 

Não só, ou seja, a responsabilidade é mais do que simplesmente política, porque ao abrigo da Constituição o Presidente da República/Chefe de Estado passou a centralizar a gestão de todo o aparelho administrativo da governação a tal ponto que até a figura do governo desapareceu, tendo em seu lugar surgido uma nova e personalizada instituição chamada Titular do Poder Executivo (TPE). 

O problema aqui é que o “Patriarca” embora esteja já a viver o seu “Outono”, é a figura mais emblemática dos “camaradas”. 

Mesmo não estando na corrida, JES continua a ser visto como sendo o “maior activo eleitoral” do MPLA. 

Não é muito difícil imaginar as dificuldades que o MPLA teve em elaborar os documentos reitores desta campanha e o novo candidato está a enfrentar, para falar dos últimos cinco anos de governação, num país que sempre foi governado pelo seu partido. 

É de facto uma campanha eleitoral algo surrealista, feita a duas vozes e com duas figuras (a do passado que se quer corrigir) e a do presente que quer colocar as pessoas certas no lugar certe e combater o amiguismo e o compadrio. 

Resta saber quando é que vai aparecer a terceira que é a imagem do novo candidato do MPLA à Vice-Presidente da República e que se chama Bornito de Sousa. 

O PAÍS 

Modificado emsexta, 19 maio 2017 14:34

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