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Tudo serve para mentir e dizer mal

Tudo serve para mentir e dizer mal

A campanha da grande maioria da comunicação social em Portugal contra Angola intensifica-se com o aproximar das nossas quartas eleições do sistema parlamentar multipartidário e estende-se a órgãos especializados em matérias específicas, como o desporto.

Por Luciano Rocha

Para aquela gente vale tudo, desde que seja para caluniar Angola, deturpar a nossa realidade, como sucedeu há dias na transmissão pela SportTV África de um jogo de futebol da principal divisão portuguesa. O comentador ou relator, em voz “off”, a propósito do drama ocorrido na sexta-feira num estádio do Uíge, disse que o minuto de silêncio que acabava de ser respeitado era “em memória de dezenas de vítimas mortais”. Na verdade, foram 17. Lapso de linguagem causado pelo turbilhão de emoções da bola? Talvez, mas o facto é que se tratou de um exagero. 

Pior, bem pior, sucedeu no canal do jornal “A Bola”.A mesma tragédia foi tema de análise e, com o habitual desplante dos ignorantes e ressabiados, foi afirmado que o recinto onde ocorrera o drama tinha capacidade para 300 espectadores! Como é possível a quem quer que seja, mesmo sem ser jornalista, atirar para o ar semelhante disparate? Se o autor da bojarda fosse mais velho podia pensar-seque tinha visitado o nosso país ainda no tempo colonial e estava a fazer confusão, por exemplo, com os antigos campos do Marçal ou da Lixeira, em Luanda, palco de animadas partidas, que nem bancadas tinham. Os assistentes ficavam em pé, à volta do recinto e a disciplina era garantida por quatro indivíduos escolhidos entre o público. A missão que lhes cabia era, com uma chibata, impedir invasões de campo em momentos de festejar golos ou de protestar por eventuais erros de arbitragem. Não havia Polícia, nem era preciso. Ela estava reservada para os trumunos de rua ou em qualquer descampado que todos os meninos dos anos de 1950 e década seguinte disputavam a qualquer hora, quase sempre com bola de meia e descalços. Aí sim, ximbas e guardas apareciam para cortar os nossos sonhos bebidos em cadernetas de cromos, pois “jogar na via pública é proibido, é vida de vadios”. Tal como sucedia, certamente, em Portugal por aquela altura, quando “ajuntamentos de mais de duas pessoas” eram “perigosos para a segurança do Estado”.

A  apresentadora do programa de “A Bola” referiu, a dado momento, a propósito da insegurança nos recintos desportivos, que em Angola o assunto se revestia de maior complexidade devido à situação económica do país. A opinião não me pareceu ter laivos de má-língua, embora se lhe deva recordar que em Portugal ela ocorra com bastante mais frequência, como provam os casos de tochas incendiárias lançadas das bancadas para dentro das quatro linhas, uma das quais, pelo menos, registada não há muitos anos, causou a morte de um adepto. Isto, para não falar de situações, com resultados igualmente trágicos registadas noutros locais do mundo, como o do Estádio do Wembley, Inglaterra. 

A observação da apresentadora, repito, não me pareceu “trazer água no bico” mas de imediato foi aproveitada pelo comentador que, tal qual caixa de ressonância, repetiu o que ouve dos habituais analistas políticos especialistas em tudo e certos dirigentes de quase todos os partidos políticos portugueses que surgem como “peritos em assuntos angolanos”, quando são verdadeiros analfabetos. Desavergonhadamente, a senhora mencionou desigualdades sociais e económicas no nosso país. O homem seguiu à risca o que escutou e não olhou para os lados.Onde é que há desemprego, pessoas a dormir nas ruas, a recorrer à “sopa dos pobres”, incitadas a procurar o ganha-pão no estrangeiro, algumas das quais estão entre nós?

A calúnia anda à solta em Portugal e estende as garras a cada vez mais sectores e órgãos de comunicação social. Qualquer assunto lhes serve de mote. Até dramas provocados por situações idênticas às de outros países. O inquérito à tragédia no Estádio Municipal 4 de Janeiro foi aberto de imediato pelas autoridades angolanas, as causas hão-de ser apuradas e os responsáveis responsabilizados.

“A Bola” já foi a muito sítio. Muitos de nós aprendemos a conhecer o mundo com o velho jornal, ao devorarmos reportagens sobre países distantes, dos quais apenas conhecíamos o nome por o termos de decorar na frieza dos mapas. Mas isso era no tempo de Carlos Pinhão, Homero Serpa, Victor Santos e de outros tantos que nos ajudaram a gostar de ler e acreditar. Tal como o Luís Alberto Ferreira – nosso compatriota, amigo e companheiro desta tarefa de opinar – que nos trazia a Luanda, nas páginas do “Norte Desportivo” (ou era no “Mundo Desportivo ?) cores, sabores e cheiros de paragens longínquas, que visitava como grande repórter que sempre foi.

Modificado emsexta, 17 fevereiro 2017 17:48

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