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Nem delação do fim do mundo afeta Angola e Moçambique

Nem delação do fim do mundo afeta Angola e Moçambique

Mesmo após constatar pagamento de propina em seus territórios, os dois países mantêm os projetos da empreiteira

O Equador é o terceiro país – depois do Panamá e do Peru – a determinar que suas instituições públicas cancelem contratos com a brasileira Odebrecht. Depois que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou documentos que apontam o pagamento de US$ 788 milhões em propinas pela construtora a doze países, as sanções contra a empreiteira não param. Curiosamente, Angola e Moçambique ainda não aderiram ao efeito dominó.

Após a publicação dos documentos pelos EUA, revelando R$ 2,6 bilhões em propinas pagas em doze países incluindo Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru, República Dominicana e Venezuela, todos anunciaram a disposição de investigar – menos os africanos.

Foram mais de 100 projetos num esquema que funcionou nos primeiros dezesseis anos deste milênio. Em troca das propinas, a empreiteira faturou cerca de R$ 12 bilhões em negócios e benefícios com contratos agora denunciados na chamada “delação do fim do mundo”. É triste, mas o Brasil faz parte do fim do mundo.

Em Angola, a Odebrecht teria pagado em propinas US$ 50 milhões por contratos no valor de US$ 261,7 milhões. No mesmo continente – e mal comparando – as autoridades de Moçambique receberam praticamente uma gorjeta: foram pagos US$ 900 mil entre 2011 a 2014. Em Angola, José Eduardo dos Santos manda e desmanda desde 1979. Os moçambicanos vivem numa “democracia” que reelegeu Filipe Nyusi, no cargo há nove anos – reeleito que foi num pleito denunciado por irregularidades.

Embora manifeste seu compromisso em colaborar com a Justiça – seja de que país for – a empresa baiana considera que a manutenção de contratos em terras da África e da América do Sul garante fluxo de caixa enquanto o grupo – com dívidas que beiram os R$ 100 bilhões – toma fôlego para se organizar no Brasil e evitar a insolvência.

Enquanto os principais executivos da empresa não se entendem – embora sejam pai e filho – e não cumprem um acordo de proteção mútua desenhado por seus advogados, a Odebrecht se limita à publicação de uma nota oficial: “…se arrepende profundamente da sua participação nas condutas que levaram a este acordo e pede desculpas por violar os seus próprios princípios de honestidade e ética”.

Pelo acordo de delação internacional, a construtora apresentou suas desculpas e firmou o compromisso de pagar multa de R$ 8,5 bilhões para que sejam suspensas todas as ações que envolvem a empreiteira e a Braskem, uma das empresas do grupo. A empresa aceitou ainda submeter-se a um monitor externo e independente por um período de até três anos.

No top four da propina, o Brasil – sem surpresa – lidera as contas com US$ 599 milhões entre 2003 e 2016 (incluindo a Braskem); na Venezuela, a bufunfa atingiu maduros US$ 98 milhões de 2006 a 2015; a República Dominicana embolsou US$ 92 milhões por contratos de US$ 163 milhões de 2001 a 2014; e no Panamá, foram US$ 59 milhões de 2010 a 2014 por contratos de US$ 175 milhões. O fim do mundo fica logo ali.

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