Angola 24 Horas - Fábricas de cimento (FCKS e CIF) começa a receber combustível na refinaria de Luanda amanhã
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Fábricas de cimento (FCKS e CIF) começa a receber combustível na refinaria de Luanda amanhã

As cimenteiras angolanas paralisadas por falta de combustível vão poder abastecer Heavy Fuel Oil (HFO) diretamente na Refinaria de Luanda a partir de sexta-feira, deixando assim de passar pela Cimangola, outra concorrente, informou o ministro da Construção.

A decisão visa permitir que seja restabelecido rapidamente o fornecimento de cimento ao mercado e estabilizados os preços, depois de as cimenteiras China International Fund (CIF), no Bom Jesus, em Luanda, e de a Fábrica de Cimentos do Kwanza Sul (FCKS), no Sumbe, província do Cuanza Sul, terem parado a produção, por falta daquele combustível.

"Foi-nos garantido que ficará concluído agora no dia 10 [de novembro], é uma boa notícia", afirmou o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, que esta semana visitou a refinaria de Luanda e a Cimangola, praticamente a única a operar em Angola e com filas de dezenas de pesados a tentarem abastecer.

A falta deste combustível, necessário à laboração das cimenteiras, fez disparar o preço daquele produto, naquela que já é apelidada no país como a "guerra do cimento".

"As fábricas de cimento, a partir dessa data [sexta-feira], terão condições para se abastecer aqui mesmo na refinaria, sem necessidade de passarem pela Cimangola. Portanto, a linha que fornecia o HFO à Cimangola agora foi bifurcada em dois pontos, que serão para abastecimento à fábrica de cimento da CIF e a outra para abastecimento da fábrica do Sumbe", garantiu o ministro.

O empresário Sindika Ndokolo, marido de Isabel dos Santos, presidente da petrolífera estatal angolana Sonangol, é o presidente do conselho de administração da Cimangola.

Por sua vez, a estrutura acionista da Cimangola, de acordo com a imprensa angolana, é liderada pela Ciminvest, de Isabel dos Santos (antes em parceria com o empresário português Américo Amorim), seguindo-se o Estado angolano, com 40,2%, e o Banco Africano de Investimentos (BAI), que possui 9,52%, além de outros pequenos acionistas.

A Lusa noticiou a 05 de novembro que a FCKS, que alegou falta de fornecimento de combustíveis pela petrolífera estatal Sonangol para paralisar a produção, prevê a retoma da laboração até dezembro, após intervenção do Governo angolano.

A informação consta de um comunicado da FCKS, em resposta à posição oficial transmitida na sexta-feira pela Sonangol, que por sua vez desmentiu ter suspendido o abastecimento de combustível àquela fábrica que funciona na província do Cuanza Sul desde 2014, cuja paralisação total, desde 01 de novembro, afeta mais de 900 trabalhadores.

"Atualmente, a FCKS está em negociações amigáveis e construtivas com o Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos e o Ministério da Construção, com vista à retoma do abastecimento do combustível HFO [Heavy Fuel Oil]. Esses encontros têm sido de tal modo frutíferos que perspetivamos o re-arranque das operações num prazo de 50 dias, necessário para a remobilização do pessoal expatriado", referia o comunicado da cimenteira.

Na posição da FCKS, a direção daquela fábrica diz-se "profundamente surpresa com o comunicado da Sonangol", por se tratar de uma "empresa pública de vanguarda que representa as cores e a bandeira da república de Angola".

"A FCKS não veio a público expor a Sonangol pelo facto de ter elevado os preços de HFO de 25 para 50 Akz/Kg após seis meses do início das operações da fábrica e num espaço de quatro meses ter aumentado para 91 Akz/Kg", lê-se no comunicado da cimenteira.

A empresa responsabiliza esta "especulação do preço de combustível" como estando na origem da "degeneração da condição financeira" e "na subsequente suspensão do abastecimento do combustível", que se arrasta desde 2016.

Na sexta-feira passada, em comunicado enviado à agência Lusa, a Sonangol negou que tenha suspendido, em qualquer altura, o fornecimento àquela cimenteira, na província do Cuanza Sul, sublinhando que "não houve nenhuma decisão" para se parar com o abastecimento a "qualquer outra fábrica de cimento a operar em Angola".

"O que acontece, especificamente, em relação à FCKS, é que esta empresa não dispõe de infraestruturas próprias de armazenamento, para receber e fazer logística de distribuição do 'Fuel Oil'", refere a nota, posição que foi já igualmente refutada por aquela fábrica.

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