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Terça, 02 Junho 2026 14:27

TAAG com prejuízos de 145 milhões USD admite subir preços dos bilhetes em 2026

A TAAG – Linhas Aéreas de Angola voltou a encerrar o exercício financeiro com resultados negativos, registando prejuízos de 144,7 milhões de dólares norte-americanos em 2025, apesar de uma ligeira melhoria face ao ano anterior. A administração da companhia admite que o agravamento dos custos operacionais, em particular do combustível de aviação, poderá levar a ajustes nas tarifas e na rede de rotas durante 2026.

De acordo com os dados apresentados pela transportadora aérea nacional, os prejuízos diminuíram cerca de 2% em relação aos 147,1 milhões de dólares registados em 2024, representando uma redução de aproximadamente 2,5 milhões USD. Ainda assim, trata-se do terceiro exercício consecutivo em que a companhia apresenta resultados líquidos negativos.

O desempenho financeiro mantém a TAAG numa situação delicada, sobretudo tendo em conta que, nos últimos dez anos, a empresa apenas registou lucros numa única ocasião. Em 2022, a companhia alcançou um resultado positivo de apenas 500 mil dólares, enquanto os prejuízos acumulados entre 2016 e 2025 ultrapassam os 1,47 mil milhões de dólares.

Administração aponta investimentos estruturantes

Durante a conferência de imprensa de apresentação do balanço de actividades de 2025, o presidente do Conselho de Administração da TAAG, Clóvis Rosa, justificou os resultados com os elevados investimentos realizados nos últimos anos para preparar a companhia para uma nova fase operacional.

Segundo o gestor, os prejuízos reflectem os custos associados à modernização da frota, à reorganização operacional, à transição para o Novo Aeroporto Internacional de Luanda, ao reforço da capacidade técnica da empresa e à recuperação dos sistemas afectados pelo ciberataque que atingiu a companhia.

“Esse resultado reflecte, em grande medida, o impacto de investimentos estruturantes associados à modernização da frota, à reorganização operacional e à implementação de medidas essenciais para assegurar a sustentabilidade futura da companhia”, explicou.

A administração sustenta que 2025 foi um ano de reorganização e preparação estratégica, defendendo que a empresa entrou numa nova fase de transformação.

Combustível pressiona contas da companhia

Apesar da ligeira redução dos prejuízos, a TAAG enfrenta novos desafios em 2026. O aumento do preço do combustível de aviação Jet A-1, impulsionado pelas tensões geopolíticas e pelo conflito no Médio Oriente, está a pressionar os custos operacionais da transportadora.

Perante este cenário, a administração admite rever a estratégia comercial da empresa, incluindo a eventual adaptação de algumas rotas e o aumento dos preços dos bilhetes para compensar o impacto do agravamento dos custos.

A subida do combustível representa actualmente uma das principais preocupações da companhia, uma vez que o Jet A-1 constitui uma das componentes mais significativas da estrutura de custos das transportadoras aéreas.

Privatização continua no horizonte

O elevado volume de prejuízos acumulados continua a levantar dúvidas sobre a sustentabilidade financeira da empresa, numa altura em que o Governo mantém a intenção de avançar com a alienação parcial do capital da TAAG.

O processo de privatização tem sido sucessivamente adiado, mas continua integrado na estratégia de reestruturação das empresas públicas e poderá avançar ainda durante o presente ano.

A administração considera, contudo, que os investimentos realizados nos últimos anos deverão começar a produzir resultados mais visíveis a partir de 2026.

“2026 tem de ser um grande ano de viragem. Um ano de maior disciplina, maior rigor, maior exigência interna e de consolidação efectiva da transformação da TAAG”, afirmou Clóvis Rosa.

Especialistas alertam para necessidade de rentabilidade

Analistas económicos consideram que a modernização da companhia é um passo importante, mas alertam para a necessidade de transformar os investimentos realizados em ganhos efectivos de produtividade e rentabilidade.

A melhoria dos resultados financeiros será determinante para reforçar a confiança dos investidores e assegurar a viabilidade da transportadora num mercado cada vez mais competitivo.

Com a pressão dos custos operacionais, a concorrência crescente e a necessidade de concluir o processo de transformação empresarial, 2026 poderá revelar-se um ano decisivo para o futuro da companhia de bandeira nacional.

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