Segundo os ativistas, o leste de Angola (que compreende as províncias do Moxico, Lunda Norte, Lunda Sul e Moxico Leste) — “berço dos grandes reinos pré-coloniais Lunda-Chokwe, guardiã das maiores reservas diamantíferas, florestais, hídricas e agrícolas de Angola — continua a ser sistematicamente tratado como um quintal explorado”.
Para o Bloco de Resistência Leste e o Movimento Cívico de Combate às Assimetrias Regionais do Leste, em “proposta de colaboração estratégica, vinculativa e histórica para a redenção do leste de Angola” aos partidos na oposição a região vive uma “discriminação deliberada”.
Argumentam que o leste de Angola foi transformado num “reservatório de recursos naturais e de votos eleitorais”, mas nunca como parceiro digno no projeto nacional de construção de uma Angola justa, única e próspera, como assinalam no documento enviado à Lusa, na cidade do Luena, província do Moxico.
Os ativistas pedem esclarecimento “urgente, público, integral e vinculativo” sobre a “ampla frente de salvação de Angola”, plataforma de partidos e membros da sociedade civil coordenada pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição).
Propõem uma colaboração leal, ativa e condicionada à assunção integral de uma agenda patriótica concreta, histórica e transformadora para o “leste marginalizado”, alertando que a região regista assimetrias regionais “mais profundas e humilhantes” do país.
A proposta “não é um pedido de esmola. É uma oferta de parceria séria, leal e estratégica, mas condicionada a compromissos concretos, públicos, vinculativos e mensuráveis”, porque, observam, o leste “já pagou caro demais pela sua lealdade cega ao projeto nacional”.
As organizações cívicas do leste de Angola manifestam pretensão de aderir à “ampla frente de salvação de Angola”, mas, exigem antes dos partidos na oposição um posicionamento claro, público e por escrito sobre a natureza exata da designada plataforma.
Uma “ampla frente de libertação de Angola” tem sido divulgada pela UNITA como um mecanismo congregador de partidos e sociedade civil — a exemplo da Frente Patriótica Unida — para a disputa das eleições gerais de 2027.
Entendem que a rede de ativistas poderá aderir à referida plataforma, porém, esperam que a realidade da situação socioeconómica da região leste faça parte dos programas eleitorais dos partidos na oposição.
De acordo com os ativistas, a região leste de Angola vive uma realidade “dolorosa e inaceitável”, considerando que apesar das “riquezas colossais” o povo vive em “miséria absoluta e discriminação estrutural deliberada”.
“O leste é a região mais rica em recursos naturais de Angola e, paradoxalmente, uma das mais pobres em condições humanas. Esta não é uma fatalidade da geografia ou do clima. É o resultado é uma discriminação regional histórica, sistemática, deliberada e continuada que começou na era colonial”, refere-se no texto.
Afirmam que recursos do leste financiam o Orçamento Geral do Estado, mas a região “recebe migalhas”.
Lamentam a escassez de água potável, falta de estradas para ligar os municípios e províncias, falta de energia elétrica, “saúde catastrófica”, o elevado número de crianças sem escolas e a pedir esmolas e a “marginalização” da cultura Chokwe.
Na sua “agenda patriótica do leste” a rede de ativistas “exige” a fiscalização permanente, independente e efetiva das obras públicas na região, a criação urgente de um cadastro nacional e programas integrados, construção de infraestruturas de saúde.
Defendem ainda a institucionalização “imediata” de uma taxa regional de desenvolvimento sobre diamantes e madeira e afetação mínima de 40% da receita diretamente às províncias produtoras, efetivação do poder local, construção da cidadela desportiva regional leste e outras.

