Em declarações prestadas esta segunda-feira, 8 de Junho, António Venâncio manifestou preocupação com aquilo que considera ser uma alteração indevida do calendário estabelecido para o processo eleitoral interno do partido.
Segundo o pré-candidato, a fase de instrução e verificação da conformidade das candidaturas está oficialmente prevista para decorrer entre 26 de Outubro e 1 de Novembro de 2026, enquanto a divulgação dos candidatos validados deverá acontecer apenas entre os dias 2 e 5 de Novembro do mesmo ano.
"A fase de instrução e verificação da conformidade das candidaturas deverá decorrer entre 26 de Outubro e 01 de Novembro de 2026, enquanto a divulgação oficial dos candidatos validados está prevista para o período entre 2 e 5 de Novembro", recordou.
António Venâncio considera que o anúncio antecipado da validação da candidatura de João Lourenço constitui uma irregularidade processual com consequências significativas para os restantes concorrentes.
"Esse erro, essa inestética procedimental, foi infeliz, mas profundamente demolidora e propositada", afirmou, acrescentando que a situação provocou constrangimentos aos outros três pré-candidatos, dificultando a mobilização dos respectivos militantes, apoiantes e potenciais subscritores.
O também militante do MPLA defendeu que um processo desta dimensão e relevância histórica exige maior rigor por parte dos órgãos responsáveis pela sua condução.
"Uma subcomissão tão importante e histórica, na sua inédita magnitude política de gerir, pela primeira vez, em mais de 50 anos de pós-independência, um processo de múltiplas pretensões à candidatura para a presidência do MPLA, não pode ser alvo de tantas reclamações", sustentou.
Perante o que considera serem falhas processuais, António Venâncio advertiu que poderá recorrer às instâncias judiciais competentes caso não haja uma solução interna para o diferendo.
"Se o conflito não for dirimido internamente, com reparação imediata dos danos, o Tribunal Constitucional será chamado a intervir", declarou.
A polémica surge após a subcomissão de candidaturas ter anunciado, na passada sexta-feira, a validação da candidatura de João Lourenço à liderança do MPLA. O anúncio foi feito pelo coordenador da subcomissão, Job Capapinha, durante uma conferência de imprensa.
De acordo com o responsável, o processo apresentado por João Lourenço cumpriu todos os requisitos estatutários e regulamentares exigidos para concorrer ao mais alto cargo do partido.
A candidatura reuniu 11.118 assinaturas de militantes, ultrapassando largamente as 5.000 subscrições exigidas pelos estatutos do MPLA. Após o processo de verificação, a subcomissão considerou válidas 10.907 assinaturas, correspondentes a 98,10% do total analisado, enquanto 211 foram consideradas inválidas, representando 1,90%.
O episódio abre uma nova frente de debate no seio do MPLA, numa altura em que decorrem os preparativos para o 9.º Congresso Ordinário do partido, marcado por um número inédito de pré-candidaturas à sua liderança.

