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Segunda, 04 Mai 2026 10:58

Parlamento suspende debate sobre lei das “fake news” para clarificação de conceitos

O debate nas comissões especializadas da Assembleia Nacional (AN) foi suspenso, esta segunda-feira, com vista à definição clara do conceito de “notícia falsa” ou “fake news”, bem como à delimitação da intervenção do Estado no espaço digital.

A decisão foi tomada durante a apreciação do preâmbulo e o primeiro capítulo da Proposta de Lei Contra Informações Falsas na Internet, numa iniciativa do Executivo.

Com a presente proposta de lei, pretende-se fortalecer o processo democrático por meio do combate à desinformação e do fomento a diversidade de informações na internet em Angola.

De igual modo, ela visa responsabilizar as plataformas digitais por suas políticas de desinformação e procurar elevar os índices de transparência sobre conteúdos pagos disponibilizados para o usuário.

Pretende ainda desencorajar a utilização de contas inautênticas para disseminar desinformação nas aplicações de internet.

Antes da suspensão dos trabalhos, o deputado Manuel da Fonseca, do Grupo Parlamentar da UNITA, manifestou reservas quanto ao conteúdo do documento, defendendo que o mesmo “não procede”, por, no seu entendimento, apresentar fragilidades de fundo.

Segundo o parlamentar, a proposta concentra-se essencialmente sobre os meios de comunicação social, podendo, na sua perspectiva, configurar uma tentativa de intimidação à crítica política, o que levanta preocupações no que se refere à salvaguarda da liberdade de expressão.

Entre as preocupações levantadas pela deputada Mihaela Weba, também da UNITA, está a dificuldade de identificar os responsáveis por páginas nas redes sociais que divulgam conteúdos controversos ou alegadamente falsos.

Por outro lado, os parlamentares favoráveis à iniciativa rejeitam as acusações de censura ou intimidação.

Em função do cenário no debate, o deputado do MPLA, Milonga Bernardo, reafirmou que o objectivo central desta proposta é salvaguardar o interesse público.

Já Elizandra Coelho, da mesma formação política, recordou que a divulgação de notícias falsas na internet afecta negativamente a sociedade, justificando a necessidade do diploma.

Por fim, o secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Calda, reforçou que o diploma incide exclusivamente sobre as chamadas “fake news” no espaço virtual.

Com a interrupção do debate, as comissões especializadas deverão aprofundar a análise dos conceitos em causa, com o objectivo de garantir maior clareza e precisão jurídica, bem como o necessário equilíbrio entre o combate à desinformação e a protecção dos direitos fundamentais no espaço digital.

O debate sobre a proposta de lei retoma na quarta-feira nas comissões especializadas.

O diploma, cujos debates na especialidade tiveram início, foi proposto pelo Executivo e prevê três secções, cinco capítulos e 34 artigos.

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