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Quinta, 19 Março 2026 14:56

A CNE insiste na Indra e oposição fala em fraude garantida

A escolha repete-se pela quinta vez e reacende suspeitas. Partidos e analistas questionam o processo, enquanto a CNE garante transparência no concurso público.

A decisão da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de voltar a adjudicar à empresa espanhola Indra a gestão tecnológica das eleições gerais de 2027 está a intensificar a contestação política e a levantar dúvidas sobre a transparência do processo, em Angola. A oposição considera a escolha recorrente um sinal preocupante e fala mesmo em "consagração de fraude", enquanto analistas apontam fragilidades nos concursos públicos.

A Indra foi selecionada pela quinta vez consecutiva, depois de já ter assegurado os processos eleitorais de 2008, 2012, 2017 e 2022. A nova adjudicação, feita na sequência de um concurso público na semana passada, motivou reações imediatas dos partidos da oposição.

Oposição questiona repetição da escolha

A UNITA, maior partido da oposição, reagiu com críticas diretas à decisão da CNE. O seu líder, Adalberto Costa Júnior, questiona a repetição da escolha da mesma empresa ao longo dos anos:

"Porque que é a mesma empresa que faz as eleições desde 2008? Porquê?", questiona.

O dirigente considera que os processos anteriores deixam memórias negativas no país e acusa o Executivo de ignorar o sentimento popular:

"Então, porque que o Governo angolano aprova sempre aquilo que não deixa boas memórias para os angolanos? Porque que o governo angolano não esta alinhado a vontade dos angolanos?", pergunta.

Também o Bloco Democrático manifestou reservas quanto à decisão. A porta-voz do partido, Valéria Vitussi, afirma que a adjudicação levanta dúvidas relevantes:

"Considerando que tal decisão levanta legitimas preocupações quanto à transparência e credibilidade do processo eleitoral”, explica.

Concursos sob suspeita e resposta da CNE

As críticas não se limitam ao campo político. O jornalista angolano Ilídio Manuel diz que há razões para desconfiança, tendo em conta o histórico dos concursos públicos ligados à CNE.

"Em 2012, por exemplo, a INDRA participou de um concurso em que o Jornal de Angola publicou o caderno de encargos dos quais as empresas deveriam reunir uma pilha de documentos, o concurso foi publicado numa sexta-feira ou seja, 24 horas depois de um dia útil - segunda-feira - a INDRA foi encontrada como vencedora", relata.

A empresa espanhola já esteve envolvida em polémicas anteriores. Nas eleições de 2022, a UNITA e organizações cívicas acusaram-na de "prejudicara a transparência eleitoral" e referiram uma alegada condenação em Espanha por "praticas fraudulentas" relacionadas com o processo de 2012.

Na altura, a Indra negou irregularidades, afirmando nunca ter sido alvo de qualquer "sanção administrativa ou penal, por causas relacionadas com a prestação dos seus serviços”.

Para Ilídio Manuel, a controvérsia mantém-se atual e exige esclarecimentos:

"Eles tem que dizer quais são os motivos que levaram que as outras fossem afastadas e o que e que a Indra de concreto oferece de melhor que as outras”, defende.

Em resposta, o porta-voz da CNE, Manuel Camaty, garantiu que o processo foi conduzido com transparência. Segundo explicou, outras empresas concorrentes "não instruíram devidamente os seus processos”.

Dados oficiais indicam que mais de 250 empresas participaram no concurso público lançado no final do ano passado, mas apenas 72 foram qualificadas para prestar serviços à Comissão Nacional Eleitoral.

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