"São coisas que não dão nem para falar, não dão nem para comparar, não dão nem para mencionar", referiu Leo Vinovezky, em declarações à imprensa, no final da cerimónia de que assinala o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, promovida pela embaixada do Israel.
Leo Vinovezky frisou que o ato, que contou com a presença do embaixador da Alemanha, representantes diplomáticos, autoridades angolanas, líderes religiosos, académicos e membros da sociedade civil, serviu para honrar a memória das vítimas do Holocausto.
"Infelizmente, já não podemos ajustar o que aconteceu no passado, mas podemos ajustar o futuro, estamos aqui juntos hoje, mais de 150 pessoas comprometidas, entre autoridades, diplomatas, líderes religiosos, para dizer nunca mais", disse.
Na sua apresentação, a Diretora do Memorial às Vítimas do Holocausto do Rio de Janeiro, Sofia Levy, disse que nos 12 anos de domínio nazi estima-se que tenham morrido 11 milhões de civis, dos quais cerca de seis milhões de judeus, acreditando que o número pode ser ainda maior, lamentando que desde 1945 até hoje se insiste em deturpar ou negar "em absoluto" a existência do holocausto.
O diplomata israelita sublinhou que o mundo sofre mudanças constantes, por isso, é necessário "lembrar o tempo todo, fazer memória, naquilo que não pode mais acontecer", considerando ainda que não se pode ficar indiferente com grupos que são "discriminados, separados e atacados", exortando valores de tolerância, igualdade e não à discriminação.
O efeito do holocausto, disse o embaixador do Israel em Angola, "é uma coisa inesquecível, que aconteceu, bateu forte nas famílias", destacando a resiliência dos sobreviventes.
Segundo Leo Vinovezky, os laços com a Alemanha são muito fortes, não só pelo holocausto, mas também pelo reconhecimento da contribuição do povo judeu nas artes, na cultura, na ciência, apesar de "inadmissível o que aconteceu".
"Estamos com eles, são para nós parceiros, especialmente a partir do que aconteceu na época da II Guerra Mundial, acho que é muito importante para as novas gerações ver-nos juntos. Se a Alemanha e o Israel estão juntos, isso quer dizer muito para outros países, outras tragédias também", disse.
Relativamente à relação entre Israel e Angola, o embaixador israelita destacou a parceria entre os dois países, acrescentando que apesar de pequena a comunidade israelita em território angolano "é muito participativa, protagonista" quer da vida pública como do setor privado.
"Angola é um dos amigos mais importantes que temos em África", disse Leo Vinovesky, acrescentando que na cooperação económica há "muitos pontos salientes, positivos, em diferentes áreas, construção, infraestruturas, agricultura", que pretendem multiplicar.

