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Quinta, 29 Janeiro 2026 14:41

Braço feminino da OMA confirma alergia do MPLA a múltiplas candidaturas

A OMA, a Organização da Mulher Angolana, o braço feminino do MPLA, vai organizar o seu congresso ordinário, no final de fevereiro, princípio de março. Os congressos da OMA são sempre acompanhados de perto pela comunicação social.

A OMA, como disse, é o braço feminino do MPLA. O MPLA governa Angola há cinquenta anos, uma parte dos quais em regime de partido único. Nos regimes de partido único, as diferentes organizações do partido único têm muita importância.

É caso a OMA, o braço feminino do MPLA. Para se perceber a importância que a OMA tem, ou pelo menos teve, sempre que estão em causa conflitos que envolvam mulheres, os angolanos dizem meio a sério meio a brincar “Vou queixar na OMA”. Se o marido bate na mulher “Vou-te queixar na OMA”

A OMA, em muitos casos, funcionava como uma espécie de órgão judicial, uma espécie de tribunal. E o que a OMA dizia era lei.

Se os congressos da OMA são sempre acompanhados de perto o próximo ainda mais porque havia a expectativa de que finalmente a OMA iria ter múltiplas candidaturas para o cargo de Secretária-Geral da organização, de líder da organização.

Essa expectativa foi alimentada pelo próprio presidente do partido e Presidente da República, João Lourenço, que num comício há três ou quatro meses, garantiu que haveria múltiplas candidaturas à liderança da OMA. Falando num comício desafiou os que dizem que o MPLA é um partido fechado, não democrático, a perguntarem às mulheres da OMA se não iam ter múltiplas candidaturas dando prova da democracia interna que vigora no MPLA.

Essa expectativa foi ainda mais alimentada quando quatro militantes da OMA anunciaram a intenção de se candidatarem à liderança da organização.

Só que, aquando da oficialização das candidaturas, a comissão eleitoral não admitiu uma das candidatas.

Ficaram três.

Depois houve uma votação no seio da OMA e a candidata menos votada foi excluída.

Sobraram duas candidatas. Só duas, mas ainda assim múltiplas candidaturas.

Mas foi sol de pouca dura. Poucos dias depois uma das duas candidatas desistiu sem que fosse apresentada qualquer explicação.

Nos bastidores diz-se que foi pressionada para desistir, para abrir caminho a Emília Carlota Dias, tida como a candidata preferida da liderança do MPLA, isto e de João Lourenço.

E assim se confirmou mais uma vez a alergia do MPLA às múltiplas candidaturas no seu seio. Um mau presságio para o partido que governa Angola há 50 anos que vai eleger um novo líder no congresso a realizar ainda este ano.

Por Carlos Rosado de Carvalho 

Jornalista e Professor de Economia / RTP

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