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Terça, 27 Janeiro 2026 13:24

A oposição em Angola não precisa de um líder, mas de uma luz no fundo do túnel

É simplesmente um paradoxo, mas a oposição política angolana comporta se como um grupo perdi do no fundo do túnel, discutindo quem segura a lanterna, que ainda por cima está sem pilhas.

O problema é que raramente discutem sobre quem deve estar na linha da frente, mas sobre tudo saber para onde é que vão. A oposição em Angola vive exatamente esse dilema: discute com paixão platónica a vontade de ser governo, mas continua a evitar o essencial — o caminho, o rumo e a direcção que querem dar ao país. Não lhe faltam vozes, discursos ou figuras públicas. E aqui surge um outro contrasenso.

A oposição continua à procura de um líder milagroso, igual ou melhor do que o Roque Santeiro, personagem de destaque de uma conceituada telenovela brasileira dos anos 80, ao invés de uma ideia mobilizadora e credível de governação.

Falta-lhes um conceito claro, uma ideia estruturada de país que vá além do desejo legítimo de alternância. Porque alternância não é apenas mudar de motorista ao volante; é assumir, com responsabilidade, o que vem depois da vitória.

Há um outro drama, senão o maior drama que a oposição vi ve hoje em toda a sua história. Falam de forma propalada em for mar uma coligação política, com desejo único partilhado de somente derrotar o MPLA nas urnas.

Mas coligações, que na politica surgem de forma cirúrgica e ciclicamente, não são atalhos mágicos. São construções políticas complexas que exigem base comum, visão partilhada e compromissos claros.

Sem isso, tornam-se apenas uma soma de vontades momentâneas, semelhante à ponte que cai antes mesmo de ser atravessada. Claro que há um entusiasmo compreensível em torno da mudança, mas entusiasmo sem uma base consensual assertiva é como correr até ao fundo de um túnel escuro acreditando que a luz vai surgir depois, quer de forma automática ou instantânea.

Enfim, não é a ausência de erros do MPLA que explica a sua resiliência eleitoral, é acima de tudo a fragilidade conceptual da alternância apresentada por uma oposição de "matete". Talvez esteja aí o verdadeiro de safio da oposição: menos disputa por quem segura a lanterna e mais consenso sobre para onde a lanterna deve estar apontada e focada. Porque sem luz no fundo do túnel, não há saída apenas movimento.

Por Nzongo Bernardo dos Santos

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