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Segunda, 02 Março 2026 00:48

França, Reino Unido e Alemanha decidem entrar em guerra contra o Irã

Alemanha, França e Reino Unido admitem intervir na guerra lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão para defender interesses europeus e os parceiros regionais, caso Teerão continue a bombardear outros países na região.

"Tomaremos as medidas necessárias para defender os nossos interesses e os dos nossos aliados na região. Tal poderá incluir, se necessário, a adoção de medidas defensivas militares proporcionadas para destruir a capacidade do Irão de lançar mísseis e drones na sua origem", pode ler-se na declaração conjunta publicada pelos três países (E3).

Os líderes dos três países dizem-se "chocados com os ataques indiscriminados e desproporcionais com mísseis lançados pelo Irão contra países da região, incluindo aqueles que não estão envolvidos nas operações militares iniciais dos EUA e de Israel". E por isso apelam a Teerão que "cesse imediatamente os ataques imprudentes", que "estão a ameaçar o pessoal militar e civil (do E3) em toda a região.

Berlim, Paris e Londres admitem deixar de ser apenas espectadores. "Concordámos em cooperar com os Estados Unidos e os nossos aliados na região nesta matéria", é dito ainda na declaração publicada pelo Governo alemão.

União Europeia “acompanha com grande preocupação”

A declaração do E3 surge pouco depois da declaração conjunta da União Europeia de apelo à contenção e à via diplomática, publicada no final da reunião de duas horas e meia dos ministros dos Negócios Estrangeiros, por videoconferência, este domingo.

Sem condenar o ataque dos EUA e Israel ao Irão, a União Europeia diz que "acompanha com grande preocupação os desenvolvimentos" no Médio Oriente, apelando "à máxima contenção, à proteção dos civis e ao pleno respeito pelo direito internacional, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas e o direito internacional humanitário".

Um apelo que deixa o destinatário subentendido. Aliás, na declaração final da reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27, não há qualquer referência à intervenção militar norte-americana, nem a Donald Trump, nem aos EUA ou Israel. Os recados diretos são sobretudo para o Irão.

"Os ataques e as violações da soberania de vários países da região por parte do Irão são injustificáveis. O Irão deve abster-se de ataques militares indiscriminados", pode ler-se na declaração da Alta Representante da UE para a Política Externa, em nome da União Europeia.

Kaja Kallas avisa que "o Médio Oriente tem muito a perder com qualquer guerra prolongada", mas reconhece o receio do impacto para a Europa de uma escalada do conflito. "Os acontecimentos que se desenrolam no Irão não devem conduzir a uma escalada que possa ameaçar o Médio Oriente, a Europa e outras regiões, com consequências imprevisíveis, também na esfera económica".

A preocupação é também com o Estreito de Ormuz - que foi encerrado. "A preservação da segurança marítima e o respeito pela liberdade de navegação também são de extrema importância", é dito na declaração que sublinha a necessidade de se "evitar a perturbação de vias navegáveis críticas, como o Estreito de Ormuz".

Os países europeus não participaram no ataque norte-americano e têm sido sobretudo espectadores face a uma nova guerra no Médio Oriente, insistindo na via diplomática para inverter a escalada e pressionar o regime de Teerão. No dia em que foi confirmada a morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, os 27 acenam com "sanções adicionais", para "proteger a segurança e os interesses da UE".

É ainda manifestada "solidariedade para com os parceiros da região que foram atacados ou afetados". Kallas falou ao longo do dia com os ministros dos Negócios Estrangeiros de Israel, Jordânia, Egipto, Qatar, Oman e Kuwait. Também Ursula von der Leyen foi publicando nas redes sociais, ao longo do dia de domingo, os vários telefonemas com o Médio Oriente, com o Sheikh do Kuwait, o Rei da Jordânia ou o Sultão de Omã.

"Mantemos um contacto estreito com os nossos parceiros na região (...) a União Europeia continuará a contribuir para todos os esforços diplomáticos destinados a reduzir as tensões e a encontrar uma solução duradoura que impeça o Irão de adquirir armas nucleares", refere ainda na declaração conjunta.

A outra preocupação é com os europeus que estão no Médio Oriente. É dito que os Estados-membros estão a tomar medidas e "se necessário" será ativado o Mecanismo de Proteção Civil da UE.

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