Print this page
Terça, 27 Janeiro 2026 13:24

Angola prevê endividamento líquido de U$D 4.5 mil milhões e mais captação de divida interna em 2026

O Ministério das Finanças de Angola anunciou hoje que o ‘stock’ de dívida deve alcançar 64,3 biliões de kwanzas (70,8 milhões de dólares) este ano, incluindo um financiamento líquido de 4,1 biliões de kwanzas (4,5 mil milhões de dólares).

Os dados foram avançados pelo diretor-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública, Dorivaldo Teixeira, que apresentou a estratégia de endividamento do executivo para o período 2026-2028, sublinhando que o objetivo é manter o rácio da dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) numa trajetória sustentável, depois de este indicador se ter situado em cerca de 49% em setembro de 2025.

O plano prevê um endividamento líquido de 4,1 biliões de kwanzas, o equivalente a cerca de 4,5 mil milhões de dólares, sobretudo através da captação de dívida interna no valor de 2,4 biliões de kwanzas (2,6 mil milhões de dólares).

Entre as linhas de ação da estratégia constam a gestão proativa de passivos, a gestão ativa da dívida, a estabilização dos indicadores macroeconómicos, a priorização de financiamento concessional, a expansão da base de investidores no mercado doméstico, o recurso a financiamento de longo prazo e a mitigação da concentração da dívida.

Dorivaldo Teixeira destacou ainda a importância da gestão cambial e da maturidade da dívida para reduzir o risco de financiamento, facilitar o acesso de empresas e cidadãos aos títulos públicos e estimular a criação de um mercado secundário de dívida pública com cotações firmes de compra e venda.

Segundo o responsável, a estabilidade cambial e as taxas de juro têm estimulado o interesse de entidades externas não residentes, o que representa uma oportunidade para dinamizar o mercado doméstico de títulos públicos.

Dorivaldo Teixeira admitiu que 2026 será um ano exigente, referindo que Angola terá cerca de 13 mil milhões de dólares (11 mil milhões de euros) em amortizações de dívida, e o executivo pretende evitar no futuro que o serviço da dívida ultrapasse os 9 mil milhões de kwanzas (8,3 milhões de euros).

No discurso de abertura, antes da apresentação do plano, realizada hoje em Luanda, o secretário de Estado das Finanças e do Tesouro, Ottoniel dos Santos, traçou um retrato da evolução recente do endividamento público congratulando-se com as metas alcançadas.

Recordou que em 2020, o rácio de dívida pública sobre o PIB rondava os 69%, com uma elevada concentração de dívida colateralizada com petróleo no montante aproximado de 16,3 mil milhões de dólares (15,1 mil milhões de euros), e uma exposição significativa da dívida interna ao risco cambial, que representava cerca de 47% da carteira total.

Segundo o governante, o país opera hoje num contexto substancialmente diferente, com o rácio de dívida pública sobre o PIB estimado em cerca de 50,5%, o endividamento garantido com petróleo reduzido para aproximadamente 7,7 mil milhões de dólares (7,1 mil milhões de euros), e a exposição ao risco cambial no mercado doméstico limitada a cerca de 26,7% do ‘stock’ total.

O secretário de Estado considerou que estas melhorias resultam de rigor técnico, disciplina orçamental e acrescentou que o exercício de 2026 coloca o país perante um duplo cenário, de grande desafio, tendo em conta o nível elevado do serviço da dívida previsto para este ano, estimado em cerca de 15 biliões de kwanzas (14 mil milhões de euros).

Rate this item
(0 votes)

Latest from Angola 24 Horas

Relacionados

Template Design © Joomla Templates | GavickPro. All rights reserved.