A declaração foi feita durante a apresentação do balanço das ações do grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) no ano legislativo 2025-2026, que encerrou este mês.
No balanço aponta-se que o grupo parlamentar a UNITA "procurou exercer o seu papel de forma firme, responsável, propositiva, fiscalizadora e próxima dos cidadãos".
Segundo a líder do grupo parlamentar da UNITA, este momento não deve ser encarado como uma ameaça, "mas como uma oportunidade para Angola renovar a esperança, aprofundar a democracia e construir instituições verdadeiramente ao serviço dos cidadãos".
"É fundamental que o próximo ciclo eleitoral seja marcado pela transparência, igualdade de oportunidades, respeito pela vontade popular e confiança nas instituições eleitorais", referiu.
Navita Ngolo reforçou que a UNITA entende que a estabilidade de Angola "não deve ser confundida com a ausência de contestação", frisando que a verdadeira estabilidade nasce da justiça, da inclusão, da confiança e do respeito pela vontade dos cidadãos".
"O país precisa de uma nova cultura política, uma cultura de diálogo, e tolerância, e prestação de contas e de alternância democrática", salientou Navita Ngola, acrescentando que Angola precisa também "de um Estado que não seja propriedade de partidos, mas instrumento de todos os cidadãos".
Para a UNITA, Angola atravessa um período particularmente exigente, apesar dos discursos oficiais sobre crescimento, estabilidade e desenvolvimento, a realidade vivida diariamente por milhões de angolanos continua marcada por profundas dificuldades económicas e sociais.
De acordo com a líder do grupo parlamentar da UNITA, o custo de vida permanece elevado e poder de compra das famílias deteriorou-se.
"O desemprego continua a afetar, sobretudo os jovens e uma grande parte da população enfrenta dificuldades para garantir alimentação, saúde, educação, habitação e emprego digno", destacou.
"Angola não pode continuar a ser um país rico em recursos e pobre em oportunidades e com mais de 70% da população mergulhada em pobreza multidimensional", acrescentou, lembrando que a economia continua excessivamente dependente do petróleo, tornando o país vulnerável às oscilações do mercado internacional.
O facto de Angola ter um potencial económico, que ainda não conseguiu transformá-lo, "de forma suficientemente abrangente, em bem-estar social", deve obrigar a uma profunda reflexão nacional, propôs.

