A deliberação da suspensão da primeira fase da greve nacional, convocada para os dias 18, 19 e 20 de maio, foi aprovada hoje em assembleia-geral realizada em Luanda pelo Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) e que contou a participação de 208 trabalhadores.
Trata-se de trabalhadores afetos às empresas públicas de comunicação social ou sob tutela do Estado angolano, que decidiram dar mais um voto de confiança à tutela, admitindo, contudo, a concretização da segunda fase da greve, entre 01 e 05 de junho próximo, em caso de incumprimento.
A suspensão da paralisação foi aprovada pelos trabalhadores da Rádio Nacional de Angola (RNA), Televisão Pública de Angola (TPA), Edições Novembro (detentora do Jornal de Angola, Jornal dos Desportos, Jornal Cultura e Jornal Economia e Finanças), Agência Angola Press, Media Nova (detentora do Jornal O País, Rádio Mais e Gráfica Dammer) e TV Zimbo, estas duas últimas já detidas pelo Estado no âmbito do processo de recuperação de ativos.
Estes deliberaram, por unanimidade, suspender a primeira fase da greve - que seria a retoma da paralisação convocada em setembro de 2025 e suspensa, na altura, após uma providência cautelar do Tribunal de Luanda -, apesar de questionarem o grau de cumprimento das suas reivindicações.
Foi igualmente deliberado que, em caso de incumprimento da proposta apresenta pelo Governo angolano, a segunda fase da greve "será concretizada sem necessidade de quaisquer formalismos adicionais".
O Governo angolano anunciou, na quinta-feira, a atualização dos salários dos funcionários dos órgãos públicos de comunicação a partir deste mês de maio, com retroativos de janeiro a abril em seis prestações, e a progressão da carreira, principais queixas da classe profissional.
Segundo o secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social, Pedro Filipe, citado pelo jornal O País, a classe de jornalistas afeta às empresas tuteladas pelo Estado têm agora as suas categorias alteradas para cima e estarão em condições de começar a receber as suas remunerações a partir de maio.
De acordo com ata da assembleia-geral de hoje, os trabalhadores deliberaram ainda que, em caso de pagamento dos salários atualizados em maio, será convocada uma nova assembleia para deliberar sobre o levantamento definitivo da greve.
Participaram na assembleia, na qualidade de mediadores, o diretor nacional do Trabalho, Blanche Chendovava, e o inspetor-geral do trabalho, Manuel Bole, em representação do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social de Angola.
Melhores condições laborais, disponibilidade de transporte para serviços de reportagem e transparência nas contas e mapas salariais constam ainda entre as reivindicações dos profissionais angolanos da comunicação social.

