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Sexta, 08 Mai 2026 19:30

Associação 27 de Maio considera “uma vitória” descoberta de vala com possíveis vítimas

O presidente da Associação 27 de Maio considerou hoje “uma vitória” a descoberta da vala comum com ossadas de mais de 500 pessoas, possíveis vítimas do 27 de maio de 1977, destacando a “boa vontade” do Presidente angolano.

De acordo com Silva Mateus, os resultados hoje divulgados pelo Governo angolano, no âmbito das ações da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), resultam de um trabalho que se iniciou em fevereiro passado, realçando que a vala já existia desde 1977, mas não tinha uma localização precisa.

“Nós em 1992 e com a criação do PRD [Partido Renovador Democrático] tivemos informações da existência desta vala, foi a partir daí que colocámos lá uma campa memorial e todos os 27 de maio íamos para lá fazer a nossa homenagem”, disse hoje o responsável à Lusa.

Segundo o general reformado, a vala carecia de uma localização exata, mas com a “perspicácia e paciência” da CIVICOP a vala foi encontrada.

“Com perspicácia e paciência fomos fazendo cruzamento de informações até que se localizou este sítio e há três meses começámos a escavar aquilo [e] aí estão as ossadas”, explicou.

Argumentou que o resultado agora alcançado “foi uma vitória”, porque a comissão “não foi [criada] de livre espontânea vontade do Presidente da República, apesar de que tudo culminou com a sua boa vontade e seu entendimento”.

Silva Mateus, sobrevivente do 27 de maio e cuja associação é membro da CIVICOP, disse, por outro lado, que as autoridades tinham noção que os acontecimentos do 27 de maio de 1977 “não poderiam ser escamoteados por muito tempo”, daí o surgimento da comissão, criada em 2019 pelo Presidente angolano, João Lourenço.

“Porque nós em cada maio fazíamos confusão, dissertações, passeatas e isso incomodava, e o [Presidente da República] João Lourenço, como não queria ter esse incómodo, resolveu, e bem, criar essa comissão que está a trabalhar para os casos de todos os conflitos ocorridos em Angola”, referiu.

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos e coordenador da CIVICOP, Marcy Lopes, anunciou hoje que mais de 500 perfis humanos foram localizados numa vala comum no Cemitério do 14, em Luanda, no âmbito das investigações sobre os acontecimentos de 27 de Maio de 1977.

Em entrevista à Televisão Pública de Angola (TPA), Marcy Lopes disse que a localização da vala comum resultou de cinco anos de buscas e pesquisas com recurso a diversos equipamentos tecnológicos.

“Os restos mortais serão encaminhados para exames laboratoriais, com vista à confirmação das identidades e ao apoio às famílias no processo de reconhecimento dos seus entes queridos”, disse o governante, citado pela TPA.

Silva Mateus afirmou que o local agora descoberto “é a vala central das muitas que existiam”, acreditando que aí possam estar as ossadas dos artistas angolanos David Zé, Artur Nunes, Urbano de Castro e de outros angolanos mortos naquele período.

De acordo com informações da comissão, avançadas pelo Novo Jornal, será divulgada uma lista na Unidade Central de Criminalística, em Luanda, bem como nas restantes províncias do país, para permitir aos familiares efetuar a recolha de amostras de ADN para testes de compatibilidade.

Os acontecimentos associados ao 27 de Maio de 1977 foram originados numa alegada tentativa de golpe de Estado contra o Presidente Agostinho Neto, violentamente reprimida com o apoio de tropas cubanas, num ajuste de contas entre dirigentes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) em que foram detidas e mortas milhares de pessoas, cujo total nunca foi apurado.

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