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Quinta, 09 Julho 2026 18:04

Antiga fábrica da Mabor em Luanda à venda por seis milhões de euros

A Manufactura Angolana de Borracha (Mabor-Angola) foi criada como filial da portuguesa Mabor, empresa pioneira da indústria de pneus em Portugal, fundada em 1940 em Vila Nova de Famalicão.

A antiga fábrica da Mabor, em Luanda, foi colocada à venda através de leilão eletrónico com um preço base de 6,5 mil milhões de kwanzas (seis milhões de euros), recebendo licitações até ao dia 22 de agosto. As candidaturas decorrem até às 23:59 desse dia, através do Portal de Leilão Eletrónico do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), estando a sessão de licitação marcada para 31 de agosto, entre as 09:00 e as 15:00.
 
De acordo com os termos de referência, o imóvel será adjudicado ao concorrente que apresentar o lance de valor mais elevado, desde que igual ou superior ao preço-base de 6,5 mil milhões de kwanzas. As instalações da Mabor, localizadas no município do Cazenga, ocupam uma área de 63.951 metros quadrados e incluem o edifício fabril, armazéns, oficinas, áreas técnicas, refeitório, portaria e outras infraestruturas de apoio.

Segundo os termos do procedimento, o adjudicatário deverá pagar 80% do valor da adjudicação no momento da assinatura do contrato-promessa de compra e venda e os restantes 20% no prazo máximo de três meses, mediante prestação de garantia bancária. A Manufactura Angolana de Borracha (Mabor-Angola) foi criada como filial da portuguesa Mabor, empresa pioneira da indústria de pneus em Portugal, fundada em 1940 em Vila Nova de Famalicão.

O nome “Mabor” resulta da contração do nome de Maria Borges, esposa do fundador, o empresário e banqueiro Júlio Anahory de Quental Calheiros, Conde da Covilhã. A fábrica do Cazenga, que deu nome a um bairro no mesmo município, iniciou atividade na segunda metade da década de 1960, beneficiando de um regime de exclusividade para o fabrico de pneus e câmaras de ar destinados ao mercado angolano.

Após a independência de Angola, em 1975, a empresa foi nacionalizada e acabou por interromper a produção no final da década de 1980 devido à escassez de matérias-primas e à degradação das instalações.

Em março de 2023, o Presidente angolano, João Lourenço, aprovou a dissolução e liquidação da empresa, justificando a decisão com a impossibilidade de a sociedade cumprir os objetivos para os quais tinha sido criada. A venda das antigas instalações representa a etapa final desse processo, conduzida pela Comissão Liquidatária, através do IGAPE.

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