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Terça, 02 Junho 2026 19:54

Falta de dinheiro nos ATM leva clientes a acusar bancos de desrespeito pelas regras do BNA

Os cidadãos acusam os bancos comerciais de não cumprirem a Directiva n.º 09/2021 do Banco Nacional de Angola (BNA), que os obriga a assegurar que as suas Caixas Automáticas (ATM) tenham uma disponibilidade de numerário não inferior a 95%.

A medida conjunta dos departamentos de Sistema de Pagamentos e de Conduta Financeira, em vigor desde Setembro de 2021, visa evitar longas filas nas caixas multibanco (ATM). O foco principal são os dias entre 25 de cada mês e o dia 5 do mês seguinte, por ser o período de pagamento de salários, bem como os sábados, pelo menos até ao meio-dia.

As denúncias de negligência dos bancos comerciais face à essa directiva do regulador financeiro não são novas, mas voltaram a ganhar forma a partir da passada sexta-feira, 29 de Maio.

Numa ronda, o Valor Económico testemunhou filas longas, ocupação de passeios e lancis, bem como utentes sentados ao chão em diferentes agências bancárias e pontos de ATMs, devido à falta de valores em várias máquinas.

Essa realidade de escassez de verbas nos ATMs estendeu-se até à presente semana. Ontem (segunda-feira, 1 de Junho), por exemplo, foram registadas enchentes em várias agências bancárias situadas no Largo do Cine Atlântico, desde às primeiras horas até ao fim da tarde.

Ao Valor Económico, os utentes responsabilizaram os bancos comerciais, associando as enchentes com a alegada fraca disponibilidade monetária nos ATMs, a semana dos salários, bem como a presença de jovens estudantes que acorrem às Caixas Automáticas para o pagamento do RUPE, visando adquirir folhas de provas.

Na agência bancária situada no Largo da Independência o cenário era o mesmo. Com a chave estrela nas mãos, Joel Augusto, carpinteiro do bairro Cassequel, disse estar na fila há mais de 30 minutos e que tem o compromisso de entregar uma porta até a próxima quarta-feira, 3, e que teme não poder cumprir com o compromisso face à dificuldade de "sacar" o dinheiro nos ATMs, para adquirir o material necessário.

Além destes dois pontos descritos, o Valor Económico visitou os ATMs do Largo Sagrada Família; dos Congolenses; Mundo Verde, em Talatona, onde o cenário era o mesmo. VE

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