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Terça, 02 Junho 2026 18:14

Polícia detém 331 pessoas e encerra oito áreas de exploração ilegal de ouro no Bengo

A primeira fase da operação “Fio de Ouro II”, desencadeada pela Polícia Nacional na província do Bengo a 22 de Maio deste ano, terminou nesta segunda-feira com a detenção de 331 cidadãos, dos quais 45 estrangeiros em situação migratória ilegal, maioritariamente provenientes da República Democrática do Congo (RDC).

O balanço da operação foi apresentado durante uma cerimónia de encerramento orientada pelo comandante provincial da Polícia Nacional no Bengo e delegado do Ministério do Interior, Delfim Kalulu Inácio, que destacou os resultados alcançados no combate à exploração ilegal de ouro e aos crimes associados à actividade.

Durante a acção policial foram igualmente apreendidos diversos meios utilizados na actividade de garimpo, incluindo seis rádios de comunicação, uma caçadeira artesanal, três viaturas, 529 mil kwanzas em numerário e vários equipamentos de apoio à exploração ilegal do mineral.

Segundo o segundo comandante provincial da Polícia Nacional no Bengo, subcomissário Fernando Ukuahamba, a operação permitiu desactivar oito áreas de exploração ilegal de ouro localizadas nos municípios do Ambriz, Muxaluando e Nambuangongo, considerados alguns dos principais focos da actividade na província.

O responsável anunciou ainda o arranque da segunda fase da operação “Fio de Ouro II”, que contará com recursos tecnológicos mais avançados para reforçar a fiscalização e o combate ao garimpo ilegal.

Fernando Ukuahamba assegurou que a Polícia Nacional continuará a desenvolver acções permanentes com o objectivo de desencorajar a exploração clandestina de ouro e garantir o cumprimento da legislação mineira em vigor.

A exploração ilegal de ouro tem sido apontada pelas autoridades como uma das principais causas de diversos problemas sociais e de segurança na província. Entre os impactos identificados destacam-se os movimentos migratórios desordenados, o crescimento de bairros informais, a pressão sobre os serviços públicos de saúde, educação e assistência social, bem como o aumento da criminalidade associada à imigração ilegal e ao contrabando.

Nos termos da legislação angolana, todos os recursos minerais em estado bruto pertencem ao Estado, estando a sua exploração sujeita às disposições do Código Mineiro e demais legislação aplicável. As autoridades alertam que a exploração ilegal de minerais constitui um fenómeno com implicações económicas, sociais, ambientais, fiscais e criminais, podendo mesmo representar uma ameaça à segurança nacional e à estabilidade do Estado.

A operação decorre numa altura em que cresce a preocupação com os riscos associados ao garimpo ilegal. Recentemente, 29 pessoas morreram na sequência do desabamento de uma mina artesanal no município de Nambuangongo, quando procediam à exploração clandestina de ouro, um incidente que voltou a expor os perigos da actividade e a necessidade de reforçar as medidas de fiscalização e controlo.

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