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Quinta, 10 Setembro 2020 11:00

"Agora é a altura certa para os EUA investirem na democracia em Angola" - Ativista

O ativista político angolano Florindo Chivucute disse hoje, numa videoconferência do Instituto de Política Mundial, em Washington, que “agora é a altura certa para os Estados Unidos e outros países investirem na democracia em Angola”.

Fundador da organização Friends of Angola (Amigos de Angola), Florindo Chivucute defendeu que as organizações não-governamentais (ONG) precisam de muito apoio para reforçar a voz da sociedade civil naquele país, com mais fundos financeiros, recursos locais e liberdade.

O angolano deu como exemplo a pretensão de avanços da China no continente africano, nomeadamente em território angolano, como uma “regressão em implementar valores democráticos”.

Florindo Chivucute falava num ‘webinar’ organizado pelo Instituto de Política Mundial, de Washington, em que também participou a moçambicana Martina Perino, gestora de programas do Instituto Republicano Internacional, sobre as reformas eleitorais em Angola e Moçambique.

“Temos uma grande população jovem que quer mudanças e tem o direito de perguntar, questionar, tem o direito de sonhar e ter educação. É responsabilidade do governo criar serviços e dar oportunidades a todos”, declarou o gestor de projetos angolano.

“A sociedade civil é corajosa, determinada e persistente. Infelizmente, é um segmento pequeno da população, mas já foi menor e já cresceu”, opinou Chivucute, referindo-se às “poucas organizações da sociedade civil” em Angola, que, declarou, deveriam receber apoio financeiro nacional e internacional.

Por experiência própria, o fundador da Friends of Angola, organização de projetos sociais para a capacitação da sociedade civil, disse que as novas organizações que querem emergir em Angola têm de esperar muito tempo para poderem obter licenças para operar.

O angolano acrescentou que os Estados Unidos devem investir mais em ONG locais no país africano.

Residente nos Estados Unidos (EUA) há mais de 15 anos, Florindo Chivucute defendeu que as instituições norte-americanas podem trabalhar ao lado do parlamento angolano para criar mais “instrumentos” de governação e formas de “mitigar a corrupção”.

“Ninguém tem de temer pela vida por ter uma opinião diferente dos dirigentes”, acrescentou Florindo Chivucute, mestre em análise e resolução de conflitos pela universidade de George Mason, em Virgínia.

O ativista elogiou algumas políticas do Presidente angolano João Lourenço, como por exemplo, a luta contra alguns responsáveis pela corrupção no país, incluindo membros da família do antigo Presidente José Eduardo dos Santos (no poder de 1979 a 2017).

Ainda assim, considerou o ativista, faltam outros culpados, como Manuel Vicente, vice-Presidente entre 2012 e 2017 e “mentor da corrupção em Angola”, acusou.

Florindo Chivucute disse também que “não existe uma relação entre o povo e os governantes” em Angola, dada a falta de eleições locais, que, na visão do ativista, reclama por uma reforma constitucional.

“Angola é o único país do sul da África que ainda não implementou um sistema de eleger diretamente os governadores locais”, considerou Chivucute, criticando as “promessas vazias” ao longo de 45 anos.

Martina Perino, do Instituto Republicano Internacional, defendeu a realização de debates e diálogos públicos para a adoção de legislação a respeito das eleições locais, e sublinhou a importância de chegar a um consenso político.

A gestora de programas também defendeu que “pequenos investimentos vão longe” e possibilitam mais debates e participação na sociedade civil, que concordou ser mais forte em Moçambique do que em Angola.

Para a especialista política moçambicana, a “competição partidária é muito importante” e “saudável” dentro de um país, porque garante a partilha do poder e a prestação de contas na cena política.

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