Numa publicação divulgada nas suas redes sociais, sob o título "Angola é Una e Indivisível: Unidos pela Paz e Reconciliação", Higino Carneiro recorda o passado de conflito vivido pelo país e sublinha a importância de preservar a estabilidade alcançada desde o fim da guerra civil.
"Angola conhece a dor e o preço da divisão. Há 24 anos, escolhemos a paz, deixando para trás feridas que o tempo não apagou, mas que devem ensinar-nos o caminho do perdão e da reconciliação", escreveu.
Na mesma mensagem, o antigo governador de várias províncias considera que os acontecimentos registados no Uíge não refletem os valores do país.
"O que ocorreu ontem no Uíge não representa Angola, cuja história nos convoca à paz, à unidade e à fraternidade entre os seus filhos. Que o passado nos ensine, que o presente nos una e que o futuro nos encontre reconciliados", refere a publicação, que termina com a expressão "Twina Kumosi".
A mensagem surge após os confrontos ocorridos no Uíge entre apoiantes da UNITA e agentes da Polícia Nacional. Segundo responsáveis da UNITA, os incidentes provocaram pelo menos dois feridos, tendo uma das vítimas sido atingida por um disparo no pé. O partido da oposição alegou ainda que, durante a intervenção policial, foram utilizadas balas reais.
Por sua vez, a Polícia Nacional justificou a sua atuação, afirmando que a UNITA pretendia realizar uma atividade político-partidária num "local impróprio", nas imediações de um tribunal. As autoridades consideraram igualmente reprovável o encerramento de vias públicas para a realização de atos políticos.
Os acontecimentos no Uíge ocorreram num contexto de crescente tensão política, numa fase em que o MPLA se prepara para o congresso que irá eleger o próximo presidente do partido, ao mesmo tempo que o país inicia o ciclo político que antecede as eleições gerais previstas para 2027.
A publicação de Higino Carneiro surge, assim, como uma das primeiras reações públicas de uma figura ligada ao processo interno de sucessão no MPLA, colocando a tónica na necessidade de preservar a paz, reforçar a reconciliação nacional e evitar o agravamento das tensões políticas.

